Comandante da Guarda de Vitória é morta pelo ex-namorado policial federal em feminicídio
Comandante da Guarda de Vitória morta por ex-namorado policial

Comandante da Guarda de Vitória é vítima de feminicídio por ex-namorado policial federal

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, foi brutalmente assassinada a tiros dentro de sua própria residência na madrugada desta segunda-feira, 23 de março de 2026. O autor do crime foi seu ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa, de 38 anos, que após cometer o feminicídio, tirou a própria vida no mesmo local.

Detalhes do crime premeditado

Segundo as investigações preliminares da Polícia Civil do Espírito Santo, por volta de 1 hora da manhã, Diego invadiu a casa onde Dayse vivia no bairro Caratoíra, em Vitória. Ele foi diretamente ao quarto onde a vítima dormia e efetuou cinco disparos enquanto ela estava indefesa. A perícia realizada no local constatou que três projéteis atingiram a nuca da comandante e um quarto tiro acertou sua cabeça de raspão, causando morte instantânea.

Em seguida, o agressor dirigiu-se à cozinha da residência e disparou contra a própria cabeça, do lado direito, acima do ouvido, cometendo suicídio. As autoridades trabalham com a hipótese de feminicídio motivado por ciúmes, uma vez que Dayse havia terminado recentemente o relacionamento e Diego não teria aceitado a separação.

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Evidências de planejamento e comportamento controlador

A polícia encontrou na bolsa de Diego uma série de ferramentas que seriam utilizadas para arrombar e invadir a casa, além de uma faca e um frasco de álcool. Esses elementos indicam que o crime foi premeditado e que o policial pode ter planejado incendiar a residência após o assassinato.

Embora não houvesse queixas formais registradas por Dayse contra o ex-namorado, a polícia possui relatos de que Diego apresentava comportamento ciumento, possessivo e controlador em relação à ex-parceira. A delegada Raffaella Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, destacou em coletiva de imprensa: "Esse caso mostra que a violência de gênero não é sobre quem é a vítima, mas quem é o homem. Sobre ela não querer mais aquele relacionamento e ele dizer 'não, você é minha e vai pagar com a sua vida'".

Primeiro feminicídio em Vitória em quase dois anos

Dados da Secretaria da Segurança Pública do Espírito Santo revelam que a morte de Dayse Barbosa representa o primeiro caso de feminicídio registrado em Vitória em mais de 650 dias. Antes deste crime brutal, o último assassinato de uma mulher na capital capixaba havia ocorrido em junho de 2024, destacando a gravidade do episódio atual.

Dayse morava com o pai, que dormia no quarto ao lado e foi acordado pelos disparos, e com sua filha de oito anos de idade, que felizmente não estava presente no momento da tragédia. A comandante era reconhecida por sua atuação firme na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência de gênero.

Reações oficiais e homenagens

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, lamentou profundamente a morte da comandante e decretou luto oficial de três dias na capital. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou: "Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura".

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, também utilizou as redes sociais para homenagear a guarda municipal e repudiar veementemente o feminicídio: "Trata-se de um crime brutal, que evidencia a gravidade da violência contra a mulher. Nenhuma justificativa pode existir para tamanha crueldade".

Este trágico episódio ressalta a urgência de políticas públicas mais efetivas no combate à violência doméstica e de gênero, mesmo quando envolvem profissionais da segurança pública que deveriam proteger a população.

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