Família revela que comandante da Guarda de Vitória era perseguida e ameaçada por PRF
A família da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, afirma que ela era perseguida e ameaçada pelo policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa, que a matou na madrugada desta segunda-feira (23). O crime ocorreu na casa onde Dayse morava com o pai e a filha de 8 anos, no bairro Santo Antônio, em Vitória, no Espírito Santo.
Arma de trabalho usada no feminicídio
O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa utilizou sua arma de serviço, uma pistola Glock 9MM G17, para cometer o crime. Após assassinar Dayse, ele foi até a cozinha e tirou a própria vida. O chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Fabrício Dutra, confirmou que a arma foi apreendida e encaminhada à perícia criminal para análise balística.
"A arma foi apreendida, como todos os outros objetos relacionados à dinâmica criminosa. Foi recolhida e encaminhada à perícia criminal no setor de balística para fazer a comparação dos projéteis que foram encontrados no corpo da comandante Dayse", explicou o delegado.
Somente após o trâmite judicial a arma será devolvida à Polícia Rodoviária Federal. A polícia ainda investiga se Diego possuía outras armas de registro particular.
Vítima surpreendida enquanto dormia
Dayse Barbosa foi surpreendida pelo namorado enquanto dormia. De acordo com o delegado Dutra, todos os cinco tiros atingiram a parte de trás da cabeça da vítima, indicando que ela não teve tempo de reagir.
"Ela não teve tempo nenhum de reação, por isso que os disparos foram todos na cabeça. Ela estava dormindo, deve ter acordado momentaneamente, mas ele a executou ainda na cama, não deu tempo dela levantar e entender o que estava acontecendo", afirmou.
No momento do crime, Dayse estava com sua arma de serviço no quarto, mas o equipamento não foi utilizado pelo criminoso e foi devolvido à Guarda Municipal de Vitória.
Crime premeditado e relacionamento conturbado
Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, há indícios de que o crime foi premeditado. Na mochila de Diego, a polícia encontrou um canivete, uma faca, um vidro de álcool, carregadores de munição, alicate e um isqueiro.
"A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou materiais para entrar na residência e subir na marquise", declarou Boni.
O pai de Dayse, Carlos Roberto Teixeira, relatou que o crime foi motivado pela tentativa da filha de encerrar o relacionamento, que era marcado por episódios de violência. "Era uma relação conturbada, dois dias bons e quatro dias ruins. Eu já tinha presenciado brigas, já tirei ele de cima dela, uma vez flagrei ele tentando enforcar a Dayse", contou.
Primeira comandante mulher e investigações em andamento
Dayse Barbosa foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória e deixa uma filha de oito anos. Diego Oliveira de Sousa trabalhava na PRF em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e ingressou na corporação em 2020.
Uma equipe da Polícia Científica esteve na casa para realizar a perícia e conversou com familiares. O caso será investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória. A Polícia Rodoviária Federal emitiu nota manifestando pesar pelo falecimento da comandante e reiterando seu compromisso contra o feminicídio e a violência contra as mulheres.



