Mulher relata abuso por cardiologista preso no RS: 'Me senti impotente e agredida'
Uma mulher identificada como Carla relata ter sido vítima de abuso sexual há onze anos pelo médico cardiologista Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, preso preventivamente na última segunda-feira em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil, o profissional é suspeito de ao menos trinta casos de abuso sexual, com depoimentos que apresentam similaridades alarmantes.
Relato detalhado da vítima
Carla afirma ter procurado o cardiologista para realizar um exame de imagem do coração quando residia em Taquara. Ela descreve ter estranhado o procedimento ao ser deixada sozinha com o médico em uma sala escura. "Ele tirava a roupa e passava a mão no meu seio. Acariciava meu seio. Ali já comecei a ficar muito nervosa", relembra a vítima, com voz emocionada.
Ao sair do consultório, a percepção do ocorrido tornou-se clara. "Quando saí do consultório e fui caminhando até o meu carro, eu disse: 'gente, eu fui vítima de um abuso sexual agora'. Ele abusou da postura dele de médico", afirma Carla, destacando a fragilidade da situação. "A gente fica numa posição muito frágil. Eu me senti muito impotente, agredida, muito agredida", completa sobre o episódio traumático.
Coragem para denunciar e encorajar outras vítimas
Carla deve registrar um boletim de ocorrência nesta sexta-feira, dia 3, e expressa esperança de que sua atitude inspire outras mulheres. "Estou aparecendo aqui porque eu acho que esse meu ato de coragem. Gostaria de encorajar as mulheres a se manifestarem, a fazerem o boletim de ocorrência, que elas não fiquem com medo de serem punidas e difamadas", declara com determinação.
Investigação policial e padrão de conduta
O delegado Valeriano Garcia Neto ressalta a consistência entre os depoimentos coletados até o momento. "Os relatos são muito parecidos. Ele orientava e convencia as vítimas a se despirem. Quando elas estavam só de roupa íntima, sem sutiã, sem blusa, ele se abraçava nas vítimas, pressionava o corpo da vítima contra o seu corpo e passava a acariciar o corpo das vítimas, a beijar o corpo das vítimas, sob o pretexto de uma atenção carinhosa e de orientação espiritual", detalha o delegado.
"É um número expressivo de vítimas contando a mesma história com riqueza de detalhes coincidentes", completa Garcia Neto, enfatizando a gravidade das acusações. A Polícia Civil já abriu inquéritos e ouviu o depoimento de trinta possíveis vítimas, incluindo pacientes e funcionárias mulheres que registraram ocorrência. Conforme as investigações, o cardiologista agia desta forma há pelo menos dois anos, sendo investigados os possíveis crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável.
Posicionamento da defesa e do Conselho Regional de Medicina
Por meio de nota, a defesa do médico afirmou que Daniel Pereira Kollet "não reconhece as imputações que lhe são atribuídas, aguardando o acesso integral aos autos e a todos os supostos fatos para o devido esclarecimento". A defesa destacou que o cliente é médico há quase trinta anos, com "conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes".
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) também se pronunciou, afirmando que "tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis".
Detalhes da prisão e canal para denúncias
Daniel Pereira Kollet foi encaminhado para o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), centro de triagem de presos na capital gaúcha. A Polícia Civil disponibilizou um telefone para receber denúncias anônimas: (51) 98443-3481, incentivando a população a colaborar com as investigações em andamento.
O caso tem mobilizado a comunidade local e levantado discussões sobre a vulnerabilidade de pacientes em consultórios médicos, reforçando a importância de mecanismos de proteção e coragem para denúncias em situações de abuso.



