Calouro é afastado de universidade após ameaças de estupro contra colega em grupo de WhatsApp
Calouro afastado após ameaças de estupro contra colega em grupo

Calouro é afastado de universidade após mensagens com ameaça de estupro contra colega

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, no litoral de São Paulo, instaurou um inquérito para apurar graves ameaças feitas pelo estudante Yuri Cassano, de 20 anos. O jovem afirmou em um grupo de WhatsApp que estupraria e agrediria uma colega universitária por ela não manter relações sexuais com ele, conforme investigações preliminares.

Mensagens viralizam e levam a afastamento imediato

As capturas de tela das mensagens enviadas por Yuri em um grupo fechado viralizaram nas redes sociais, mostrando conteúdo explícito de ameaça sexual. Diante da repercussão, o calouro do curso de Educação Física pediu para deixar a faculdade onde havia se matriculado recentemente. A instituição de ensino já havia determinado seu afastamento e proibido sua entrada no campus após as mensagens se tornarem públicas.

Investigações avançam com múltiplos enquadramentos possíveis

De acordo com a delegada Deborah Lázaro, titular da DDM de Santos, a vítima compareceu à delegacia para formalizar o registro na última segunda-feira (2). O caso foi registrado preliminarmente como ameaça, injúria e violência doméstica, mas poderá ser reclassificado como incitação ao crime conforme o andamento das investigações.

A delegada destacou ainda que outros integrantes do grupo poderão responder criminalmente: "Se tiverem outras pessoas envolvidas, elas também serão penalizadas, de acordo com as condutas", afirmou Deborah Lázaro.

Estudante confessa e pede desculpas publicamente

Yuri Cassano confessou as ações e admitiu que "errou muito". Em nota enviada por seu advogado, o estudante afirmou que as mensagens foram "uma brincadeira de péssimo gosto, horrível e totalmente sem critérios", mas reconheceu que "palavras têm peso, têm impacto e podem ferir, independentemente da intenção original".

Após a repercussão do caso, o jovem se manifestou por meio de um vídeo que circula nas redes sociais, garantindo que não é uma pessoa agressiva e dizendo que sempre foi gentil e carinhoso com a vítima. "Assumo total responsabilidade pelos meus atos e estou comprometido em evoluir para que episódios como este jamais se repitam", declarou.

Contexto preocupante do grupo de WhatsApp

As investigações revelaram que o grupo no qual as mensagens foram enviadas também compartilhava conteúdos com apologia à violência. Conforme apurado, eram circuladas imagens incitando a violência, incluindo acusações de que Yuri teria compartilhado conteúdos mostrando maus-tratos a um animal silvestre e a um morador de rua.

O advogado Fábio Bosquetti da Silva Costa, que representa o estudante, comentou sobre o ambiente do grupo: "Acho tudo isso lamentável, estamos em um momento difícil, onde se comete todo tipo de atrocidades contra as mulheres. Os rapazes que estavam naquele grupo estão desconectados da realidade".

Repercussões e medidas de proteção

A defesa de Yuri Cassano informou que a família entrou com um pedido para desvincular o estudante da universidade, alegando que sua integridade física corre risco. Segundo o advogado, a família e o jovem teriam recebido ameaças de morte, extorsão e tortura após a divulgação do caso.

Bosquetti pontuou que: "No meu ponto de vista, não justifica, mas é natural tendo em vista o conteúdo das mensagens". O advogado orientou que a família não deve adotar providências sobre as ameaças sofridas neste momento, mas deve procurar as autoridades policiais caso as ameaças persistam.

Yuri Cassano havia se mudado de São Paulo para Santos em dezembro de 2025 para ingressar no curso de Educação Física. O caso continua sob investigação da Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, que analisa todas as circunstâncias e possíveis envolvidos nas mensagens de teor violento.