Bombeiro suspeito de feminicídio com martelo pode ser excluído da corporação em MS
O subtenente do Corpo de Bombeiros Elianderson Duarte, suspeito de matar a esposa Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, com golpes de martelo em Ponta Porã, pode ser excluído da corporação. A informação foi confirmada pelo comandante do Corpo de Bombeiros no município, major Thiago Teruya.
Processo disciplinar em andamento
Segundo o comandante, o comando local e o comando-geral, em Campo Grande, iniciaram os procedimentos para abrir um conselho de disciplina. O processo pode resultar na exclusão do militar da corporação. Elianderson foi transferido para o Presídio Militar Estadual (PME), em Campo Grande, onde está preso desde a noite de quinta-feira (5).
"Informamos ainda que a nossa escolta só conseguiu apresentar o militar no PME na quinta-feira à noite, pois esse militar precisou passar por cirurgia e aguardar a alta médica", afirmou o comandante Teruya.
Detalhes do caso chocante
A enfermeira Liliane de Souza Bonfim morreu nesta sexta-feira (6), três dias depois de ser agredida pelo marido. O ataque aconteceu na terça-feira (3). Ela estava internada em estado grave no Hospital da Vida, em Dourados. Liliane é a 5ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2026.
Durante as agressões, dois dos três filhos do casal, de 17 e 15 anos, também foram atingidos. O filho mais novo, de 11 anos, presenciou a situação, mas não ficou ferido. De acordo com a polícia, os três filhos têm diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Fuga desesperada e prisão
Antes do ataque, Liliane pediu que os filhos corressem para fora da casa. Eles saíram e pediram ajuda na rua. Testemunhas entraram na residência e viram o militar agredindo a esposa com um martelo. Moradores tentaram impedir as agressões, mas o suspeito fugiu pulando muros de casas vizinhas.
Durante a fuga, ele quebrou o tornozelo. Populares perseguiram o homem e conseguiram detê-lo até a chegada da polícia. Ele foi preso em flagrante e levado para o Hospital Regional de Ponta Porã, onde ficou internado sob escolta. Na quinta-feira (5), ele voltou a ser hospitalizado, e a audiência de custódia foi cancelada.
Relato emocionante da filha
Em depoimento, a filha mais velha, de 17 anos, contou que percebeu que o pai estava armado com uma marreta e ouviu a mãe gritar: "Abre a porta e foge". A adolescente relatou que o pai chegou do plantão, fechou portas e janelas da casa, recolheu os celulares dos filhos e esperou a esposa voltar do trabalho.
"Quando a mãe chegou, ele disse imediatamente 'vamos pro quarto'. A mãe negou porque percebeu que tinha alguma coisa errada", afirmou o delegado Rodrigo Inojosa. Segundo o depoimento, as agressões começaram antes que as crianças conseguissem sair da casa.
Dois dos filhos foram atingidos, incluindo a adolescente, que levou dois golpes na cabeça. Testemunhas disseram que as crianças estavam com sangue no rosto e que o homem estava ao lado da mulher, segurando a marreta, enquanto ela estava caída no chão.
Andamento legal do caso
A Polícia Civil informou que o subtenente foi autuado por tentativa de feminicídio e que será solicitada a prisão preventiva. Segundo a polícia, a internação do suspeito está relacionada aos ferimentos que ele sofreu ao tentar fugir.
O caso continua sob investigação, com expectativa de que o processo disciplinar no Corpo de Bombeiros avance paralelamente às ações judiciais. A tragédia reforça preocupações sobre violência doméstica e proteção de grupos vulneráveis no estado.
