Adolescente relata estupros por pai de santo em rituais falsos em São José do Rio Pardo
Adolescente denuncia estupros por pai de santo em rituais falsos

Adolescente denuncia estupros por pai de santo em supostos rituais em São José do Rio Pardo

Uma adolescente de 17 anos, que denunciou um pai de santo por abusos sexuais em um terreiro de São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo, falou pela primeira vez sobre os horrores que enfrentou. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, nesta segunda-feira (23), ela detalhou como o religioso a estuprava em falsos rituais espirituais, manipulando-a desde a infância.

Abusos disfarçados de elogios e rituais

A jovem frequentava o terreiro desde criança, mas relata que os abusos começaram aos 14 anos, inicialmente mascarados por elogios. "Ele falava que eu era formosa, muito bonita. Ele não falava para nenhuma mulher. Ele só falava para mim", contou ela. Em um episódio, o acusado a alertou sobre um relacionamento que ela tinha, dizendo que a pessoa poderia perdê-la para ele, em uma clara tentativa de isolamento e controle.

Os encontros ocorriam em uma área escura ao lado do terreiro, onde o pai de santo apagava as luzes e fingia estar incorporado por entidades. "Ele pegava dois banquinhos e eu tinha que sentar com a minha parte íntima na coxa dele", descreveu a vítima. Na época, ela acreditava que essas ações faziam parte de rituais legítimos, com o acusado afirmando que era a forma de sua Pomba Gira vir à terra.

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Revelação tardia e busca por justiça

Foi apenas aos 15 anos que a adolescente percebeu ter sido abusada. O medo a impediu de registrar uma denúncia na época, mas agora, aos 17 anos, ela decidiu procurar a polícia para evitar que outras meninas passem pela mesma situação. "Eu não fiz só para mim, eu fiz por outras amigas, por outras pessoas que eu conhecia, para salvar gerações futuras", afirmou, destacando sua motivação em proteger potenciais vítimas.

Investigação policial e prisão temporária

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que pediu a prisão temporária do acusado, cuja identidade não foi divulgada. Ele está preso em Casa Branca, e sua defesa informou que não vai se manifestar devido ao segredo de justiça. O delegado Daniel Spessoto, responsável pela investigação, reforçou a importância de outras vítimas buscarem ajuda. "Outras pessoas já compareceram à delegacia para relatar os fatos. É fundamental que possíveis vítimas procurem ajuda e registrem a denúncia", disse ele.

A polícia também representou junto ao juízo de Ribeirão Preto para garantir a prisão temporária, permitindo uma investigação sem pressões externas ou dentro do contexto religioso do terreiro. Denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia, pelo telefone 181 ou pelo Disque Denúncia da Secretaria de Segurança Pública.

Impacto e apelo por conscientização

Este caso chocante expõe a vulnerabilidade de jovens em ambientes religiosos e a necessidade de vigilância contra abusos disfarçados de práticas espirituais. A coragem da adolescente em compartilhar sua história serve como um alerta para a sociedade e um apelo para que mais vítimas se manifestem, buscando justiça e prevenindo futuros crimes.

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