Comediante Tatá Mendonça relata importunação sexual após show em Franca, SP
Tatá Mendonça sofre importunação sexual após show em Franca

Comediante Tatá Mendonça relata caso de importunação sexual após show em Franca

A comediante Tatá Mendonça, conhecida nas redes sociais como 'Cega na Comédia', foi vítima de importunação sexual na madrugada de sexta-feira (13), em um bar localizado na Vila Aparecida, em Franca, interior de São Paulo. O incidente ocorreu logo após o término de sua apresentação de stand-up, enquanto a artista atendia o público em uma fila de fotos.

Detalhes do ocorrido e prisão em flagrante

De acordo com o relato detalhado feito pela artista em suas redes sociais, a situação aconteceu quando um homem se aproximou de maneira inadequada durante o momento de interação com os fãs. 'Na abordagem já foi bem desconfortante. Depois ele aproveitou que a equipe tinha ido, já tinha entregado até o celular para ele ir embora, e aí ele veio se aproximando para beijar', explicou Tatá Mendonça em vídeo publicado.

A comediante, que possui deficiência visual, destacou que o homem tentou se aproveitar de sua condição. 'O que ficou parecendo era que eu era cega e que ele também. Enfim, ficou bem estranho, uma situação constrangedora', completou.

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O noivo da artista, que também atua como seu produtor, percebeu a situação e acionou imediatamente a Polícia Militar. Segundo informações do relato, o agressor foi preso em flagrante no local. O g1 tentou contato com a Secretaria de Segurança Pública para obter mais detalhes sobre o registro do caso e a prisão, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Reação imediata e apoio do público

Tatá Mendonça relatou que a atitude do homem gerou uma reação imediata das pessoas presentes no estabelecimento. 'A fila gritou e aí meu noivo interceptou a evasão dele. Ele chamou a polícia, na verdade. O Vini, um advogado que estava com a gente, também viu o que aconteceu. A fila reagiu de forma a intimidar ele', descreveu a comediante.

Ela também agradeceu publicamente o suporte recebido:

  • Funcionários do estabelecimento que ofereceram apoio durante a confusão
  • O advogado Vini, que acompanha o caso
  • Os frequentadores que estavam na fila e reagiram à conduta do suspeito

Histórico de importunações e impacto na saúde mental

Esta não é a primeira vez que Tatá Mendonça enfrenta situações de importunação sexual durante sua carreira. Em 2024, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando o momento em que o comediante Cadu Moura, durante uma apresentação conjunta, colocou a mão nas costas da colega e desceu para a região das nádegas, sendo repelido por ela segundos depois.

Em pronunciamento oficial publicado em texto nas redes sociais, Tatá detalhou o impacto profundo que essas situações têm causado em sua vida profissional e saúde mental. 'Minha arte é pública. Minha dignidade não. O mundo ainda espera que mulheres vivam em performance de pureza e domesticadas. Quando uma mulher aparece livre, trabalhando e ocupando espaço, muita gente acha que ela precisa ser punida', escreveu.

A comediante revelou que um episódio anterior de importunação sexual, ocorrido em setembro de 2024, desencadeou um quadro de depressão. 'Mesmo assim continuei trabalhando sem transparecer o que estava vivendo. Quando eu começava a melhorar, Patrick Maia publicou um vídeo dizendo que o caso do meu assédio tinha sido uma 'notícia ruim para a comédia'. Recebi uma nova onda de ataques e isso agravou novamente meu quadro', relatou.

Posicionamento sobre segurança no trabalho e apoio seletivo

Tatá Mendonça fez um alerta importante sobre a necessidade de garantir ambientes seguros para mulheres no mercado de trabalho. 'O mínimo que qualquer lugar de trabalho precisa garantir é que mulheres possam trabalhar sem serem violadas', afirmou.

A comediante também destacou a importância do apoio seletivo em sua carreira: 'Quero destacar também os colegas da comédia que me dão espaço, trabalho e apoio. São poucos, mas significam muito. Sou seletiva com quem trabalho e meu público sabe quem caminha comigo'.

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Ela finalizou sua mensagem com palavras de encorajamento: 'Mulheres, não se sintam culpadas. Quem precisa viver assistido para não assediar é que deveria viver preso. Pessoas com deficiência aprendem desde cedo a ser fortes e não viver de vitimismo. Enquanto muita gente que tem tudo para ser feliz vive se vitimizando. Meu sorriso não é disfarce. É resistência'.

O caso ocorrido em Franca reacende o debate sobre a segurança das mulheres, especialmente artistas, em ambientes de trabalho e eventos culturais, destacando a necessidade de medidas mais eficazes de proteção e apoio às vítimas de importunação sexual.