Violência contra mulheres: São Paulo registra 118 mil pedidos de medidas protetivas em 2026
São Paulo tem 118 mil pedidos de medidas protetivas para mulheres

Violência contra mulheres: São Paulo registra 118 mil pedidos de medidas protetivas em 2026

O estado de São Paulo enfrenta um cenário alarmante de violência contra mulheres, com 118 mil pedidos de medidas protetivas registrados apenas em 2026. Esse número representa um aumento significativo de 17,5% em comparação com o ano anterior, revelando uma tendência preocupante que demanda atenção imediata das autoridades e da sociedade como um todo.

Aumento nas solicitações e prisões por descumprimento

Desde o ano de 2023, as forças de segurança do estado já prenderam 120 homens que tentaram se aproximar das vítimas protegidas por essas medidas judiciais. Essas prisões demonstram a gravidade das situações de risco enfrentadas pelas mulheres que buscam proteção através do sistema legal, muitas vezes após sofrerem ameaças ou agressões físicas e psicológicas.

As medidas protetivas são instrumentos legais fundamentais para garantir a segurança de mulheres em situação de violência doméstica ou familiar. Elas podem incluir afastamento do agressor do lar, proibição de contato com a vítima e familiares, e restrição de aproximação em locais frequentados pela mulher protegida.

Contexto nacional da violência de gênero

Os números de São Paulo refletem um problema nacional mais amplo. Dados recentes indicam que, em 2025, aproximadamente 3,7 milhões de mulheres brasileiras sofreram algum tipo de agressão, seja física, psicológica, sexual ou patrimonial. Essa estatística chocante evidencia a dimensão epidêmica da violência de gênero no país.

A violência contra mulheres não se limita a agressões físicas diretas. Ela se manifesta através de múltiplas formas:

  • Ameaças verbais e psicológicas
  • Controle financeiro e restrição de liberdade
  • Perseguição e assédio
  • Violência sexual
  • Feminicídio - a forma mais extrema de violência de gênero

Desafios no enfrentamento à violência

Especialistas em segurança pública e direitos das mulheres apontam que o aumento nos pedidos de medidas protetivas pode indicar tanto um crescimento real dos casos de violência quanto uma maior conscientização sobre os mecanismos de proteção disponíveis. No entanto, os números também revelam desafios persistentes:

  1. Subnotificação: Muitas mulheres ainda não denunciam as agressões sofridas por medo, dependência econômica ou falta de informação.
  2. Fragilidade na aplicação: A efetividade das medidas protetivas depende de fiscalização adequada e resposta rápida das autoridades.
  3. Recursos limitados: A rede de proteção à mulher enfrenta carências em termos de abrigos, assistência psicológica e apoio jurídico.

A situação em São Paulo serve como alerta para a necessidade de políticas públicas mais robustas e integradas no combate à violência contra mulheres. A articulação entre órgãos de segurança, sistema judiciário e serviços de assistência social é fundamental para garantir proteção efetiva às vítimas e responsabilização adequada aos agressores.