Rio de Janeiro: mais de 60% dos casos de estupro registrados em 2024 envolvem crianças e adolescentes
Um levantamento alarmante divulgado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, através do Mapa da Mulher Carioca, expõe uma realidade preocupante: 64,8% dos estupros notificados na capital em 2024 tiveram como vítimas menores de idade. Dos 1.701 casos registrados, impressionantes 1.103 foram classificados como estupro de vulnerável, envolvendo crianças e adolescentes. O anuário, compilado pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres e Cuidado (SPM-Rio), também destaca que 88,5% das ocorrências têm mulheres como vítimas, reforçando o caráter de gênero desta violência.
Casos recentes ilustram a gravidade dos dados
A divulgação desses números ganha contornos ainda mais dramáticos com um caso emblemático ocorrido em Copacabana, Zona Sul do Rio. No último sábado, cinco jovens foram indiciados pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em um apartamento no bairro. A vítima procurou a 12.ª DP (Copacabana) para registrar a denúncia e realizou exame de corpo de delito, que identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico, escoriação na região genital e sangramento vaginal.
Dois dos homens envolvidos se entregaram nesta terça-feira, 3 de março, enquanto outros dois seguem foragidos. Um menor, suposto ex-namorado da menina e acusado de atraí-la para o local do crime, é investigado pela Vara da Infância e da Adolescência. Os jovens apontados como autores são:
- João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos
- Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos
- Victor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos
- O adolescente que já se envolveu com a vítima anteriormente
O grupo foi denunciado pelo Ministério Público por estupro qualificado, com os agravantes de concurso de pessoas e de vítima menor de idade, com pena prevista variando de 8 a 12 anos de reclusão.
Distribuição geográfica e ambiente das ocorrências
Embora o caso de Copacabana tenha chamado a atenção, a região concentrou apenas 7,3% dos casos registrados na cidade em 2024. Em contraste, as Zonas Oeste e Norte apresentaram percentuais significativamente maiores, com 31,6% e 30,6% respectivamente. O Mapa da Mulher Carioca também revela que o ambiente residencial é o principal local de ocorrência das notificações de estupro no município, concentrando 64,6% dos casos (1.085 registros). Este padrão indica que o crime ocorre majoritariamente em ambiente privado, o que pode dificultar a prevenção e a denúncia.
As informações coletadas pela SPM-Rio figuram entre as mais atuais sobre as condições de vida da mulher carioca e servem como um alerta urgente para a necessidade de políticas públicas mais eficazes de proteção à infância e adolescência, especialmente no que diz respeito à violência sexual. A predominância de vítimas mulheres e menores de idade exige uma abordagem intersetorial que envolva educação, saúde, segurança e assistência social.
