Porto Alegre lidera casos de assédio contra mulheres, aponta pesquisa nacional
Porto Alegre lidera casos de assédio contra mulheres no Brasil

Porto Alegre lidera casos de assédio contra mulheres, aponta pesquisa nacional

A "Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026", divulgada nesta quinta-feira (5), revela um cenário preocupante para as mulheres de Porto Alegre. Enquanto a capital gaúcha aparece entre as que menos reconhecem desigualdade na divisão das tarefas domésticas, é justamente nela que o maior percentual de mulheres relata ter enfrentado algum tipo de assédio.

Metodologia e abrangência do estudo

O levantamento foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, com o objetivo principal de mapear como mulheres e homens de dez capitais brasileiras percebem questões ligadas à desigualdade de gênero. A pesquisa abordou desde a divisão das tarefas domésticas até episódios de assédio e violência, entrevistando 3,5 mil pessoas de forma online entre 1º e 27 de dezembro de 2025.

Dados alarmantes sobre assédio em Porto Alegre

Os dados coletados mostram que 82% das mulheres de Porto Alegre afirmam ter sido vítimas de assédio em pelo menos um dos seis ambientes analisados. Este é o maior patamar entre as dez capitais pesquisadas, ficando significativamente acima da média nacional, que é de 71%.

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Entre os locais onde o assédio mais acontece na capital gaúcha, os espaços públicos se destacam:

  • Ruas, praças e parques concentram 66% das ocorrências relatadas
  • Transporte público aparece em seguida, sendo citado por 59% das mulheres
  • Bares e casas noturnas também apresentam crescimento, com 49% das mulheres relatando assédio nesses locais

Contraste na percepção sobre tarefas domésticas

O cenário de violência fora de casa parece menos evidente dentro do lar aos olhos dos moradores da cidade. Apenas 34% dos entrevistados em Porto Alegre dizem que as mulheres acabam realizando a maior parte das tarefas do dia a dia, como limpeza, preparo de refeições e organização da casa. Este percentual é o menor entre todas as capitais incluídas no levantamento.

Mesmo assim, a pesquisa mostra que a percepção continua dividida entre os gêneros: as mulheres tendem a reconhecer maior sobrecarga feminina, enquanto os homens apontam mais equilíbrio na distribuição das responsabilidades domésticas.

Medidas prioritárias para enfrentar a violência

Quando perguntados sobre quais ações devem ser priorizadas no combate à violência doméstica e familiar, os moradores de Porto Alegre colocam como principal medida:

  1. Endurecimento das penas para agressores (60% das menções)
  2. Ampliação dos serviços de proteção às mulheres em todas as regiões da cidade (47%)
  3. Agilidade na investigação das denúncias (37%)

A pesquisa destaca a necessidade urgente de políticas públicas específicas para proteger as mulheres porto-alegrenses, especialmente em espaços públicos e de lazer, onde os índices de assédio são mais elevados.

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