Moradora ouve gritos de jovem morta por pai de amiga em Pontal e relata desespero
Moradora ouve gritos de jovem morta por pai de amiga em Pontal

Uma moradora de Pontal (SP) ouviu os gritos da jovem de 20 anos que foi morta pelo pai da amiga no meio da rua. Geniane Pereira foi atacada a facadas na manhã de sexta-feira (24). Juliana Hortolau afirma que não conhecia a vítima, mas foi a primeira a prestar socorro após ouvir os gritos na rua onde mora.

Inicialmente, ela acreditou que a jovem tivesse passado mal e caído. "Eu até então achei que ela tinha passado mal, caído e se machucado, só que, quando eu me aproximei, eu vi que ela estava toda ensanguentada e ali eu entrei em desespero. Me abaixei e fiquei segurando o rosto dela, apoiei a cabeça dela nas minhas pernas e fiquei o tempo todo até o socorro chegar", relatou.

Geniane já estava em estado crítico, mas ainda com vida. No boletim médico da Santa Casa de Pontal, consta que ela foi esfaqueada pelo menos nove vezes. Durante o atendimento, não resistiu aos ferimentos e morreu.

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Juliana diz que segue abalada após o ocorrido e espera por justiça. "Eu não estou no meu normal ainda, já chorei bastante, como se ela fosse alguma parente minha. Tem que ter mais justiça para que as mulheres não venham a sofrer esse tipo de situação, tanto em agressão quanto em assassinato."

Crime ocorreu durante o dia

O crime ocorreu por volta das 9h de sexta-feira, na Rua Albano Meneghelli, quando as duas jovens seguiam para o trabalho. À polícia, testemunhas disseram que, um dia antes, Geniane e a amiga foram abordadas pelo suspeito no mesmo local onde o crime aconteceu.

"Elas sempre andavam juntas e, na data de ontem [quinta-feira], estavam indo ao trabalho e, do nada, foram abordadas por ele na rua. Parece que ele estava monitorando, para saber o trajeto que elas faziam de casa para o trabalho. Na data de hoje aconteceu exatamente a mesma coisa, quando elas passavam pelo local próximo onde foram abordadas na data de ontem, avistaram ele", disseram testemunhas.

Ainda segundo relatos, Cleomar estava encostado no portão de uma casa na esquina. "Elas viram ele encostado ali, encapuzado, mas conseguiram reconhecer. Ele já estava com a faca na mão, elas perceberam que alguma coisa ia acontecer. De imediato, ele já foi para cima dessa vítima, chamou ela pelo apelido de Geninha e já passou a desferir golpes de faca."

Investidas que viraram assédio

Testemunhas relataram à polícia que Geniane era frequentemente assediada por Cleomar, mas negava as investidas. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Claudio Messias, a vítima era simpática, o que levou o suspeito a interpretar de forma equivocada o comportamento dela.

"A motivação é absurdamente torpe. Os relatos que colhemos é que, por ela ser uma pessoa aparentemente simpática, esse cidadão passou a interpretar errado essa forma dela de se relacionar. Tem um relato aí que, certa feita, ele teria até se aproximado dela e tocado nos seios dela", afirmou o delegado.

Segundo o delegado, Geniane e a filha de Cleomar eram de Turmalina (MG) e se mudaram para Pontal no dia 10 de abril por uma oportunidade de emprego. Elas passaram a morar na casa dele. O suspeito também é da mesma cidade e já conhecia a vítima.

"Pelos últimos dias, essas meninas teriam relatado para ele que haviam conhecido um candidato a namorado na cidade, e isso deixou ele furioso. A partir de então, ele passou a proferir xingamentos contra elas, xingamentos terríveis, e elas passaram a procurar outro local para morar. Só que não deu tempo", completou.

O caso foi registrado como feminicídio e é investigado pela Polícia Civil. O suspeito, Cleomar Borges Gomes, de 53 anos, fugiu após o crime e não havia sido localizado até a última atualização desta reportagem.

A polícia pede que qualquer informação sobre o suspeito seja comunicada pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo Disque-Denúncia, no número 181.

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