Bebê encontrada viva em lixeira em Guariba: morador achou que eram filhotes de gato
A recém-nascida que foi encontrada viva e ainda com o cordão umbilical em uma lixeira em Guariba, no interior de São Paulo, recebeu alta médica na última segunda-feira (2). A informação foi confirmada pela Santa Casa da cidade, onde a criança estava internada desde o resgate dramático ocorrido na semana passada.
Desfecho hospitalar e situação atual da criança
De acordo com a Santa Casa de Guariba, a bebê agora está sob os cuidados do Ministério Público, que será responsável por definir com quem ela ficará. A instituição médica informou que a criança recebeu todos os cuidados necessários durante a internação e teve sua saúde estabilizada.
A reportagem solicitou um posicionamento ao Ministério Público sobre os próximos passos do caso, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Enquanto isso, a Polícia Civil continua as investigações sobre o abandono da recém-nascida.
O resgate inusitado: confusão com filhotes de gato
O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos com o relato do morador que encontrou a criança. Um aposentado que passava pela Rua Matão, no bairro Cohab I, na tarde de terça-feira (24), avistou movimento dentro de um saco plástico em um suporte de lixo em frente a uma residência.
"Inicialmente, pensei que fossem filhotes de gato", revelou o homem, que preferiu não se identificar. "Mas ao me aproximar, percebi que era um bebê, ainda com o cordão umbilical, envolta em um saco plástico que continha água."
Ação rápida dos vizinhos e socorro
Após a descoberta, a dona da casa mais próxima à lixeira pegou uma toalha, enrolou a menina e acionou a polícia. Em meio à mobilização no bairro, um morador se prontificou a levar a criança até a Santa Casa de Guariba, onde ela recebeu os primeiros cuidados médicos.
O detalhe mais surpreendente veio depois: segundo a polícia, esse morador que levou a bebê ao hospital era justamente o padrasto da adolescente que tinha dado à luz, sem saber que se tratava de sua enteada.
"Sem saber de nada, o padrasto chegou, foi avisado por algumas pessoas, vizinhas do local, sobre a criança que estava do lado externo da residência e o padrasto, sem saber, apresentou essa criança ao hospital", afirmou o delegado Reginaldo Félix, responsável pelas investigações.
A mãe adolescente e o parto solitário
A Polícia Civil identificou a mãe como uma adolescente de 16 anos que afirmou ter escondido a gravidez da família. Em depoimento, a jovem revelou que descobriu a gestação entre novembro e dezembro de 2025 e manteve o segredo desde então.
Na terça-feira do ocorrido, ao sentir fortes dores, ela afirmou ter provocado o nascimento da criança no banheiro de casa. No momento, segundo seu relato, apenas seu irmão de 10 anos estava na residência.
A adolescente contou à polícia que cortou o cordão umbilical com uma tesoura escolar, limpou a bebê, a envolveu em uma manta e a colocou em uma caixa, que foi deixada no suporte de lixo onde foi encontrada horas depois.
Contexto familiar e investigações
Segundo as informações da Polícia Civil, a adolescente disse que a criança é fruto de um relacionamento casual e consensual com uma pessoa que não teve a identidade divulgada e que também não sabia da gestação. Ela manteve o segredo inclusive da mãe e do padrasto com quem morava.
O caso foi registrado como abandono de incapaz e continua sob investigação. As autoridades trabalham para entender completamente as circunstâncias que levaram ao abandono da recém-nascida e definir as responsabilidades legais envolvidas.
Enquanto a bebê aguarda a definição de seu futuro familiar através do Ministério Público, a comunidade de Guariba ainda se recupera do impacto do caso que chamou atenção para questões de saúde pública, apoio a adolescentes e proteção à primeira infância.



