Acre registra mais de 5 mil medidas protetivas para mulheres em 2025, com aumento de 14,2%
Acre tem 5 mil medidas protetivas para mulheres em 2025

Acre registra aumento significativo em medidas protetivas para mulheres vítimas de violência

Dados exclusivos do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) obtidos pelo g1 revelam um cenário preocupante e ao mesmo tempo esperançoso no combate à violência contra a mulher no estado. No período de janeiro a dezembro de 2025, foram concedidas impressionantes 5.047 medidas protetivas para mulheres em todo o território acreano, demonstrando tanto a gravidade do problema quanto a resposta do sistema de justiça.

Tempo ágil de resposta e crescimento anual

Um aspecto positivo destacado pelos números é o tempo médio de apenas um dia para a concessão dessas medidas após o pedido, mostrando agilidade do Poder Judiciário em situações de risco iminente. Quando comparado ao ano anterior, o aumento é significativo: em 2024 foram registradas 4.418 medidas protetivas, o que representa um crescimento de 14,2% em 2025.

Os processos relacionados à violência contra a mulher, tanto em primeira quanto em segunda instância, totalizaram 5.854 casos no ano passado, evidenciando a dimensão judicial desse grave problema social.

Evolução histórica das medidas protetivas no Acre

Analisando a série histórica divulgada pelo TJ-AC, é possível observar uma trajetória ascendente preocupante:

  • 2020: 2.247 medidas protetivas
  • 2021: 2.296 medidas protetivas
  • 2022: 2.989 medidas protetivas
  • 2023: 4.101 medidas protetivas
  • 2024: 4.418 medidas protetivas
  • 2025: 5.047 medidas protetivas

Essa progressão constante indica tanto o aumento na busca por proteção quanto possivelmente maior conscientização sobre os direitos das mulheres vítimas de violência.

Distribuição territorial e canais de denúncia

Dados complementares da Polícia Civil mostram que, apenas de janeiro a setembro de 2025, foram solicitadas 2.524 medidas protetivas de urgência em todo o estado. A capital Rio Branco concentrou a maior parte desses pedidos, com 1.690 registros no período, seguida pelo município de Cruzeiro do Sul.

A delegacia continua sendo a principal porta de entrada para as vítimas que buscam proteção. Nesse espaço, o boletim de ocorrência é registrado e o pedido é encaminhado ao Poder Judiciário para análise e definição das medidas cabíveis. Após a decisão judicial, um oficial de Justiça comunica formalmente tanto a vítima quanto o agressor.

O que são e como funcionam as medidas protetivas

As medidas protetivas são instrumentos previstos na Lei Maria da Penha com o objetivo fundamental de garantir segurança a mulheres vítimas de violência doméstica. Elas podem ser aplicadas em casos diversos, incluindo:

  1. Agressões físicas
  2. Ameaças de qualquer natureza
  3. Abusos psicológicos
  4. Violência patrimonial
  5. Violência moral
  6. Violência sexual

Entre as medidas previstas na legislação para os agressores estão:

  • Suspensão da posse ou restrição do porte de arma
  • Afastamento do lar ou do local de convivência com a vítima
  • Proibição de aproximação e contato com a vítima e familiares
  • Restrição ou suspensão de visitas a dependentes menores
  • Prestação de alimentos
  • Comparecimento a programas de recuperação e reeducação
  • Acompanhamento psicossocial

A lei não estabelece um prazo fixo de duração das medidas protetivas, pois a ideia é que elas permaneçam válidas enquanto a mulher estiver em situação de risco.

Consequências do descumprimento e rede de apoio

O descumprimento de uma medida protetiva constitui crime e pode resultar em prisão de três meses a dois anos, conforme o artigo 24-A da Lei Maria da Penha. Em caso de violação, a vítima deve acionar imediatamente as autoridades policiais através do Disque 190 da Polícia Militar e registrar um novo boletim de ocorrência.

O Acre disponibiliza uma ampla rede de atendimento e canais de denúncia:

  • Disque 180: Central de Atendimento à Mulher
  • Disque 181: Denúncias anônimas
  • Polícia Militar: 190 para emergências
  • Samu: 192 para socorro médico urgente
  • Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): (68) 99930-0420
  • Disque 100: Direitos Humanos
  • Delegacias especializadas ou qualquer delegacia de polícia
  • Profissionais de saúde: com notificação compulsória

As medidas protetivas representam uma das principais ferramentas para romper o ciclo da violência doméstica e garantir segurança efetiva às mulheres em situação de risco, sendo essencial que toda a sociedade conheça esses mecanismos de proteção.