A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira (29) um plano orçamentário de três anos que pode abrir caminho para o Congresso considerar um adicional de US$ 70 bilhões destinado a atividades de fiscalização imigratória por agentes federais. A votação foi apertada: 215 a 211, sem nenhum apoio dos democratas.
Detalhes da votação e próximos passos
O presidente da Câmara, Mike Johnson, manteve a votação aberta por mais de cinco horas enquanto trabalhava para convencer seus colegas republicanos a aceitarem a medida. Alguns deputados, especialmente os de estados agrícolas, aguardavam uma votação futura sobre a expansão das vendas de gasolina misturada com etanol. O Senado já havia aprovado o plano em 23 de abril.
Com a concordância da Câmara, caberá aos republicanos em ambas as casas legislativas elaborar os detalhes da proposta de US$ 70 bilhões e obter a aprovação antes de enviá-la para o presidente Donald Trump sancionar. Os republicanos esperam concluir esse processo em maio, utilizando um procedimento especial raramente usado que permite conduzir a legislação pelo Senado sem qualquer apoio dos democratas.
Contexto e controvérsias
Os republicanos já usaram o mesmo procedimento no ano passado para forçar a aprovação de cerca de US$ 130 bilhões em financiamento para as agências de Imigração e Alfândega (ICE) e Patrulha de Fronteira — um aumento significativo que Trump solicitou para realizar sua campanha massiva de deportação de imigrantes.
Os democratas tentaram restringir as operações do ICE e da Patrulha de Fronteira em cidades americanas, que desencadearam protestos, especialmente após a morte de dois cidadãos dos EUA a tiros por agentes federais este ano em Minneapolis. No entanto, os republicanos resistiram a essas tentativas.
Financiamento em risco
Até o final desta semana, uma série de agências que operam sob o Departamento de Segurança Interna (DHS) ficará sem financiamento, a menos que os republicanos no Congresso cheguem a um acordo sobre um projeto de lei separado para o ano fiscal que termina em 30 de setembro. O Senado aprovou um projeto de lei para financiar agências do DHS, incluindo o Serviço Secreto, a Guarda Costeira e a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), mas os republicanos da Câmara até agora se recusaram a aceitá-lo.



