Quem é Carlinhos Cachoeira, preso no Aeroporto de Congonhas pela PF
Quem é Carlinhos Cachoeira, preso no Aeroporto de Congonhas

Carlos Augusto de Almeida Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (13) no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O contraventor, que possui um extenso histórico de processos judiciais, foi detido assim que desembarcou, em cumprimento a um novo mandado de prisão expedido pela Justiça. As investigações apontam que Cachoeira é suspeito dos crimes de calúnia, difamação e injúria. Sua defesa informou ao g1 que não comentará o caso.

Histórico de condenações

Carlinhos Cachoeira acumula diversas condenações em diferentes estados brasileiros, incluindo crimes de corrupção, fraude e exploração de jogos de azar. Ele é apontado como líder de um esquema de contravenção que envolvia políticos e agentes públicos. Confira os principais processos:

Operação Monte Carlo

Considerado o caso mais emblemático, Cachoeira foi condenado em 2012 a 39 anos de prisão por peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha. A investigação revelou que ele chefiava uma organização criminosa que explorava jogos de azar em Goiás e no Distrito Federal, além de manter uma rede de influência com políticos. Após ficar preso por algumas horas, ele conseguiu um habeas corpus e respondeu ao processo em liberdade. Em 2019, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve a condenação, e a defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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Operação Saint-Michel

Desdobramento da Monte Carlo, essa operação focou em tentativas de tráfico de influência e corrupção no sistema de bilhetagem do transporte público do Distrito Federal. Cachoeira foi alvo de mandados de prisão, mas já estava detido pelo processo anterior. A Polícia Civil do DF cumpriu mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo, Anápolis e Goiânia. Um relatório da PF indicou que ele repassava informações sigilosas de licitações para um ex-diretor de uma empreiteira. O caso gerou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional.

Fraudes na Loterj

Cachoeira foi condenado a seis anos de prisão por corrupção e fraude em contratos da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Em maio de 2018, o ministro do STF Gilmar Mendes determinou sua prisão imediata. Após recursos, o STJ reduziu a pena e autorizou o regime semiaberto, permitindo que ele trabalhasse em uma empresa farmacêutica em Goiânia.

Corrupção com agentes públicos

A Justiça aceitou denúncia contra Cachoeira e o ex-deputado Carlos Alberto Leréia por corrupção. Investigações apontam que o ex-parlamentar usou sua posição para favorecer os interesses do contraventor. Em 2020, Cachoeira e um ex-desembargador foram condenados ao pagamento de multas milionárias por troca de favores e decisões judiciais favoráveis. A multa imposta a Cachoeira foi de R$ 30 milhões.

Operação Saqueador

Em 2019, o contraventor foi condenado a nove anos de prisão por lavagem de dinheiro. A denúncia apontou o uso de empresas de fachada para desviar verbas públicas destinadas a obras da construtora Delta.

Processos da ex-esposa

Em dezembro de 2025, a ex-mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, foi levada à delegacia após invadir um escritório de advocacia em Goiânia, em uma briga patrimonial. No mês anterior, a Justiça determinou a prisão de Cachoeira por uma dívida de mais de R$ 1 milhão em pensão alimentícia. O mandado previa prisão temporária de 70 dias, após os quais ele deveria ser solto.

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