A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (23), uma operação para investigar a aplicação irregular de R$ 13 milhões da previdência dos servidores de Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo. Os recursos foram investidos no Banco Master, e a apuração foca em possível má gestão do Instituto de Previdência Municipal (IPREM).
Alvos da operação
Cinco pessoas são alvos de mandados de busca e apreensão: Hortêncio Lala Neto, ex-diretor do IPREM até 2024; Marlene Maria Vieira Bassani, ex-supervisora de gestão; Maria de Lourdes Villalva, assessora de secretária do Comitê de Investimentos; Hélio Augusto Moraes, agente técnico administrativo do Comitê de Investimentos; e Tatiana Feliz dos Reis, assessora de secretária do Comitê de Investimentos. A Justiça Federal também determinou o afastamento de cargos públicos e o bloqueio de bens dos investigados.
Contexto do investimento
O caso teve início após um alerta da Subsecretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, que apontou problemas na aplicação dos recursos. Em entrevista em novembro de 2024, Hortêncio Lala Neto afirmou que o investimento no Banco Master foi feito no último ano de sua gestão para cumprir metas de rentabilidade. Na época, o IPREM tinha R$ 8,2 milhões aplicados em Letra Financeira, e ele declarou que 90% dos recursos estavam em instituições sólidas, sendo que parte foi direcionada ao Master, que não tinha restrições.
Alerta do Ministério Público
Em abril de 2024, a Procuradoria do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) alertou que pelo menos cinco institutos de previdência municipais, incluindo o de Santo Antônio de Posse, haviam investido centenas de milhões no Banco Master. Quando o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco, o IPREM possuía R$ 8,2 milhões em Letras Financeiras, conforme o relatório analítico de investimentos de setembro de 2025.
Posicionamento do IPREM
O IPREM informou, em nota, que acompanha a situação e que as aplicações foram feitas dentro das normas legais e em conformidade com a política aprovada pelo Conselho Deliberativo. O instituto destacou que não era possível prever impactos financeiros naquele momento, pois a avaliação dos ativos dependia da massa liquidante, sob supervisão do Banco Central. A nota também ressaltou que eventuais irregularidades seriam apuradas pelos órgãos competentes, como Banco Central, CVM, Ministério Público e Poder Judiciário, e reafirmou o compromisso com a transparência e a boa gestão.
O g1 tenta localizar a defesa dos suspeitos para obter posicionamento.



