PF investiga malas de políticos em voo com presidente da Câmara
PF investiga malas de políticos em voo de Hugo Motta

A Polícia Federal (PF) investiga a entrada no Brasil de cinco malas que não passaram pelo raio-X em um voo que transportava o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O caso foi revelado pela Folha de S. Paulo e já foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Detalhes do voo e da fiscalização

O episódio ocorreu na noite de 20 de abril de 2025, quando os políticos retornavam de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho em um avião particular. A aeronave pertence ao empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online, incluindo o popular "jogo do tigrinho". Ele foi alvo da CPI das Bets.

Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, estavam no voo os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ambos líderes de seus partidos na Câmara. Ao todo, 16 passageiros estavam a bordo.

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A chegada ao aeroporto

A aeronave aterrissou no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), por volta das 21h. Segundo a PF, inicialmente o piloto José Jorge de Oliveira Júnior passou pelo detector de metais, trocou algumas palavras com o auditor fiscal Marco Antônio Canella, retirou duas bagagens que já haviam passado pelo raio-X e, contornando o pórtico, retornou à área restrita do desembarque.

Até as 21h35, todas as bagagens haviam sido inspecionadas e todos os passageiros passaram pela detecção de metais. No entanto, por volta das 21h40, o piloto retornou ao ponto de fiscalização com cinco volumes adicionais, que não passaram pelo raio-X.

Reação do auditor fiscal

A operadora de raio-X do aeroporto questionou o auditor Marco Antônio Canella sobre o ocorrido. De acordo com a PF, ele gesticulou com as mãos "expressando banalidade e irrelevância". Canella, lotado no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), já foi indiciado em outro processo sob suspeita de corrupção passiva e facilitação de contrabando. A PF considera sua atuação irregular e passível de investigação. Canella não respondeu às tentativas de contato da reportagem.

Propriedade das malas e investigação

A PF afirma que "não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo", mas não descarta "a possibilidade de envolvimento de um ou mais passageiros detentores de prerrogativa de foro nos delitos sob apuração".

Manifestações dos envolvidos

Hugo Motta confirmou a viagem, mas disse que "cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira". Sua assessoria afirmou que ele aguardará a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fernandin OIG declarou que os itens pertenciam ao comandante do voo e que o desembarque seguiu o processo normal. O piloto José Jorge de Oliveira Júnior disse não se lembrar do dia, mas afirmou que o processo ocorreu "em conformidade com as normas da legislação aduaneira vigente". Ele acrescentou: "Há um procedimento padrão: cada passageiro realiza o desembarque com seus pertences de forma individual. Sigo esse mesmo padrão, e cada piloto transporta apenas seus próprios itens, de modo que, em eventual fiscalização, responda exclusivamente pelo que carrega. Na empresa, é regra que nenhum membro da tripulação conduza pertences de passageiros, limitando-se aos seus".

Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões não se manifestaram até o momento.

Crimes investigados e andamento judicial

O inquérito da PF apura possíveis crimes de facilitação de contrabando ou descaminho e prevaricação. O caso estava na 1ª Vara Federal de Sorocaba e foi distribuído em outubro de 2025. Em 18 de março, a juíza Carolina Castro Costa determinou o envio ao STF, com petição protocolada em 13 de abril. No despacho de 24 de abril, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, determinou que a PGR se manifeste em até cinco dias.

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