PF investiga ex-cabo do Exército suspeito de tráfico de armas do Paraguai
PF investiga ex-cabo do Exército por tráfico de armas

A Polícia Federal (PF) investiga um ex-cabo do Exército suspeito de integrar um esquema de tráfico internacional de armas de grosso calibre. O grupo utilizava um clube de tiro em Uberlândia para testar armamentos antes de revendê-los a criminosos em outros estados. A suspeita faz parte da Operação 'Scutum 3', deflagrada na manhã desta terça-feira (19).

Como funcionava o esquema

Segundo a PF, o ex-militar, que também trabalhou no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e deixou o Exército em 2018, atuava como armeiro e era responsável por testar as armas em um clube de tiro onde trabalhava recentemente em Uberlândia. A corporação destacou que o estabelecimento não tem envolvimento com o esquema e teria sido usado apenas pelo investigado para os testes.

Armas revendidas para organizações criminosas

De acordo com a investigação, o grupo criminoso transportava armas e munições de alta capacidade do Paraguai para Minas Gerais e Goiás. Depois, o arsenal era revendido para integrantes de organizações criminosas em estados como Rio de Janeiro e Bahia. Ao todo, a terceira fase da operação cumpriu 13 mandados judiciais, sendo 11 de busca e apreensão e dois de prisão temporária. Todos os mandados foram expedidos pela Justiça Federal e cumpridos em Uberlândia, onde a PF identificou um núcleo do grupo.

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Ainda de acordo com a PF, enquanto o ex-militar realizava os testes no clube de tiro, outro investigado era responsável por armazenar as armas na cidade. Os nomes deles não foram divulgados pela polícia.

Lavagem de dinheiro em empresas da cidade

A PF informou ainda que o grupo utilizava uma estrutura organizada para o contrabando e a distribuição de armas. As investigações apontam que o esquema também usava empresas de fachada para lavar o dinheiro obtido com a atividade criminosa. Entre os locais citados estão postos de combustíveis e lojas de celulares e eletrônicos, onde também houve cumprimento de mandados durante a Operação 'Scutum 3'. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens e valores dos investigados. Segundo a PF, o valor corresponde à movimentação financeira do grupo nos últimos cinco anos. Os investigados poderão responder por organização criminosa, comércio ilegal de armas, tráfico internacional de armas de uso restrito e lavagem de dinheiro.

Segunda fase da investigação

A segunda fase da investigação foi realizada pela Polícia Federal de Uberlândia em fevereiro, quando foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária na região. Segundo a PF, a ação é um desdobramento da primeira fase da Operação 'Scutum', realizada em outubro de 2024. As investigações apontaram que o grupo criminoso seria responsável por trazer armas de fogo de alta potência e longo alcance do Paraguai para revenda no Triângulo Mineiro, em cidades de Goiás e também em outros estados, como Rio de Janeiro e Bahia. A análise do material apreendido na fase anterior, de acordo com a polícia, permitiu que os agentes federais descobrissem que o grupo de Uberlândia contava ainda com ramificações nas cidades mineiras de Ituiutaba e Patrocínio.

Primeira fase da Operação 'Scutum'

A primeira fase da Operação 'Scutum' foi deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de combater o grupo criminoso especializado no tráfico internacional e na comercialização de armas de fogo de grosso calibre. Em outubro de 2024, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Uberlândia (MG), Goiânia (GO) e Campo Alegre de Goiás (GO). Em Uberlândia, durante uma das ações, agentes localizaram cigarros eletrônicos na residência de um suspeito, que acabou preso em flagrante. As investigações tiveram início no começo de 2024, após a prisão de dois homens encontrados com fuzis, munições, anabolizantes e materiais ligados ao tráfico de drogas. A análise dos celulares apreendidos permitiu identificar um esquema de importação ilegal de armas vindas do Paraguai, que eram trazidas para o Triângulo Mineiro e posteriormente revendidas para outros estados brasileiros. Segundo a Polícia Federal, a posição estratégica de Uberlândia, com diversas rotas de acesso a outras regiões do país, favorecia a atuação do grupo criminoso investigado.

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