Pai de Henry Borel teme nova manobra de Jairinho e pede celeridade no júri
Pai de Henry Borel teme manobra de Jairinho no júri

O julgamento do caso Henry Borel, que teve início adiado em março por uma manobra da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, recomeça nesta segunda-feira, 25 de maio. O pai do menino, o vereador Leniel Borel, teme que os advogados do réu repitam a estratégia de abandonar o plenário para forçar novo adiamento.

Reinício do júri e expectativas

O júri vai julgar Jairinho e a mãe do menino, Monique Medeiros, acusados de homicídio duplamente qualificado. Além dos réus, 26 testemunhas serão ouvidas. A acusação e as defesas terão oportunidade de apresentar suas versões, e o veredicto dos jurados só será conhecido ao final de todos os depoimentos e argumentações.

Leniel Borel, em entrevista à VEJA, manifestou sua apreensão: “Estou muito apreensivo com essa possibilidade, que me parece iminente. É mais uma estratégia protelatória. Para ele, a demora é benéfica.” O pai do menino ressaltou que, se condenado, Jairinho pode ser transferido de Bangu 8 para um presídio pior, o que torna a demora vantajosa para o réu.

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Revitimização e sistema judiciário

Leniel criticou o sistema judiciário brasileiro, afirmando que ele o revitimiza diariamente. “Hoje em dia se fala muito em revitimização no sistema de justiça. Aqui tem um pai. O meu filho é uma vítima fatal e eu acabo me tornando uma vítima indireta. Para mim e para a minha família, a revitimização é diária. Todo dia eu tenho que revisitar e clamar por justiça.”

Ele também questionou a possibilidade de a Defensoria Pública assumir a defesa de Jairinho caso os advogados abandonem novamente o julgamento. A juíza responsável já havia oficiado a Defensoria do Rio, mas o órgão informou que não poderia ficar de prontidão. Leniel sugeriu que, se um defensor não tem condições, outro deveria ser acionado, e que o julgamento de Monique poderia ocorrer separadamente.

Estratégias das defesas

O pai de Henry não acredita em confissão dos réus. “Já ouvi mais de sete versões diferentes da Monique. Quando poderia falar a verdade, ela não falou. Foi presa dormindo junto com o Jairo.” Sobre a estratégia da defesa de Monique, que alega que ela vivia um relacionamento abusivo, Leniel foi enfático: “A Monique é pior do que o Jairo, porque ela é a mãe. Ela poderia ter tirado o filho do contexto de agressão. Ela tinha conhecimento do que fazer. Monique era professora, diretora de uma escola. Ela estudou para saber lidar com a violência, inclusive no ambiente doméstico familiar.”

Ele acrescentou que a mãe do menino “incorpora uma personagem de mulher agredida, violentada, coisa que ela não é. Ela é forte, decidida, manipuladora. A Monique tinha um plano de ascensão social. Nem quando o filho foi morto ela abandonou esse projeto. É uma mãe que vendeu o filho para sua ascensão social.”

Depoimento de Thayná e condenação esperada

Leniel confirmou que Thayná, outra testemunha, foi encontrada para ser ouvida e avisou que falará tudo o que sabe. Ele espera que ela diga a verdade. Questionado sobre a condenação que espera, respondeu: “Cinquenta anos é pouco. O mínimo que aqueles dois precisam é ser condenados a penas exemplares, pela memória do Henry, por mim, como pai que luta todo dia, e pela minha família.”

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