Operação contra PCC mira 'Diabo Loiro' por lavagem de dinheiro e tráfico
Operação contra PCC mira 'Diabo Loiro' por lavagem de dinheiro

Operação contra PCC mira 'Diabo Loiro' por lavagem de dinheiro e tráfico internacional

Eduardo Magrini, conhecido como 'Diabo Loiro', é o principal alvo de uma operação realizada nesta sexta-feira (8) contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas comandado pelo PCC. Ele já havia sido preso no ano passado durante uma investigação do Gaeco de Campinas, suspeito de participar de um plano da facção para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. Magrini também é ex-padrasto do MC Ryan SP, preso na Operação Narco Fluxo.

Quem é Eduardo Magrini

Nas redes sociais, Magrini se apresentava como produtor rural e influenciador digital antes de ser preso. Com mais de 100 mil seguidores, costuma publicar fotos em viagens, rodeios e ao lado de carros de luxo. Em publicações, ele afirma ser amigo do lutador do UFC Charles do Bronx e chegou a mostrar um relógio Rolex que teria ganhado do cantor MC Ryan SP.

Atuação nos ataques de 2006

Segundo as investigações, Magrini também teria participado dos ataques do PCC ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em São Paulo, em 2006. Ele ainda seria ligado à chamada 'sintonia FM', setor da facção responsável pela administração de pontos de venda de drogas. Entre maio e agosto de 2006, São Paulo viveu uma onda de ataques promovidos pelo PCC, com rebeliões simultâneas e atentados coordenados que espalharam medo pela capital e cidades do interior. De acordo com o Ministério Público, apesar de aparentar estar afastado da facção, Magrini mantinha ligação profunda com o crime organizado na região e teria envolvimento direto nos ataques de 2006.

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Detalhes da operação desta sexta

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo realizam na manhã desta sexta-feira (8) uma operação contra lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Por meio de sócios 'laranjas', empresas do ramo de transporte e uma outra do ramo de rodeios movimentaram recursos financeiros de origem criminosa. Durante as investigações, foram identificados os vínculos de 'Diabo Loiro' com as empresas e que o empresário ostentava patrimônio milionário nas redes sociais.

O filho de Eduardo Magrini, Mateus Magrini, também é investigado e é alvo das buscas. Ele é suspeito de movimentar recursos ilícitos por meio de uma empresa do ramo musical. Mateus foi alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, juntamente de MC Ryan, que segundo a investigação é ex-enteado de 'Diabo Loiro'. Para os investigadores, as relações familiares corroboram com a tese de que o núcleo familiar de Eduardo Magrini tenha ações voltadas à lavagem de dinheiro.

A operação Caronte cumpre 11 mandados de busca e apreensão em Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga, em ação conjunta entre o Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (SECCOLD) da 1ª DIG – DEIC Campinas e Gaeco de Campinas. As investigações apontam que a lavagem de dinheiro por parte de Eduardo Magrini ocorre desde o ano de 2016 e se intensificaram após análise de dados fiscais e bancários pelo Lab-LD (Laboratório de Lavagem de Dinheiro), além de dados do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que apontaram movimentação incompatível com as rendas declaradas pelos alvos.

Bloqueio de bens

Foi decretado pela Justiça o bloqueio de R$ 10 milhões de reais das contas dos investigados, o bloqueio de veículos e outros bens em nome dos suspeitos. A 'Operação Caronte' foi nomeada em referência ao barqueiro da mitologia grega responsável por transportar as almas dos mortos por meio dos rios para o submundo de Hades (Diabo).

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