A vereadora Luciana Novaes, primeira mulher tetraplégica eleita para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, faleceu nesta semana após sofrer uma morte cerebral. A família informou que seus órgãos serão doados, e o Programa Estadual de Transplantes já foi acionado. “Até em sua despedida escolheu semear vida: seus órgãos serão doados, gesto que traduz com perfeição quem ela sempre foi — amor que se reparte, cuidado que permanece, bondade que continua”, declarou a família em comunicado.
Velório e homenagens
O velório será realizado na segunda-feira, 4 de novembro, às 10 horas, no Saguão José do Patrocínio do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal, localizado na Praça Floriano, Cinelândia. O prefeito Eduardo Cavaliere decretou luto oficial de três dias. A Câmara Municipal também emitiu nota de pesar, destacando o legado de Luciana.
Trajetória de superação
Luciana Novaes, assistente social de 42 anos, ficou tetraplégica em 2003 após ser atingida por uma bala perdida no campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio. Após o incidente, formou-se em Serviço Social e fez pós-graduação em Gestão Governamental. Em 2016, elegeu-se vereadora pelo PT, tornando-se a primeira pessoa tetraplégica a ocupar uma cadeira na Câmara carioca, cumprindo três mandatos. Em 2023, retornou como suplente.
Atuação parlamentar
Sua atuação foi fortemente marcada pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência, idosos e população em situação de rua. Presidiu a Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e foi autora da Lei 8.781/2025, que institui a Política Municipal de Rotas Acessíveis do Rio. Também criou projetos garantindo vagas prioritárias em escolas para alunos com deficiência e processos avaliativos adaptados para estudantes com deficiência intelectual. Deixou um legado de quase 200 leis voltadas à inclusão e acessibilidade.
Repercussão
O presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), manifestou profundo pesar: “Luciana foi mais do que uma parlamentar atuante. Foi símbolo de perseverança e superação. Mesmo diante de uma das maiores adversidades, encontrou forças para reconstruir sua vida e se dedicar ao serviço público com dignidade.” A nota ainda destaca que sua história “seguirá inspirando gerações”.
A família agradeceu o apoio e convidou a população para o velório. “Luciana não parte pequena. Parte imensa. E permanecerá viva em cada luta justa, em cada gesto de amor e em cada coração que ela tocou”, concluiu o comunicado.



