Mais de 200 animais que estavam em um canil interditado em Dois Irmãos, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foram resgatados e encaminhados para uma organização não governamental (ONG) nesta sexta-feira (24). A operação ocorreu dois dias após a interdição do local, que aconteceu na quarta-feira (22), quando a Polícia Civil flagrou cães e gatos em condições precárias de saúde e higiene.
Animais doentes e debilitados
De acordo com Paola Saldivia, integrante do Instituto Eu Salvo Vidas, muitos animais estavam doentes e debilitados, necessitando de atendimento urgente. A ONG realizará a triagem, exames médicos e, posteriormente, encaminhará os bichos para adoção. “Tem muitos animais doentes, debilitados, que precisam de atendimento com urgência. Eles fazem toda triagem com os exames necessários e depois a gente leva para o abrigo e faz o acompanhamento”, explicou Saldivia.
Responsáveis presos e soltos
Os responsáveis pelo canil, um homem e uma mulher, foram presos em flagrante na quarta-feira por maus-tratos. Eles já haviam sido detidos anteriormente pelo mesmo crime. Contudo, na quinta-feira (23), a Justiça concedeu liberdade provisória a eles, mas com a condição de não se envolverem em qualquer atividade relacionada ao canil. O delegado Felipe Borba afirmou: “Estavam presentes um homem e uma mulher, que seriam os responsáveis pelo estabelecimento. Diante da situação, efetuamos a prisão em flagrante de ambos e ontem à noite [quinta-feira] o Poder Judiciário concedeu liberdade provisória, mas proibiu eles de se envolverem com qualquer atividade relacionada ao canil”.
Condições do canil
No local, foram encontrados 170 cachorros e mais de 50 gatos, muitos deles de raças como Spitz Alemão e Cavalier, comercializados por valores entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. Durante a inspeção, a polícia constatou diversos problemas: animais com diarreia, sarna e dermatites alérgicas, superlotação, mistura de espécies no mesmo ambiente, falhas de higienização e ausência de controle sanitário e reprodutivo. A Vigilância Sanitária municipal, a Associação de Proteção aos Animais e uma médica veterinária apoiaram a operação.
Irregularidades estruturais e sanitárias
A vistoria identificou falta de piso impermeável e sistema de drenagem adequado, ausência de separação dos animais por espécie, idade e condição fisiológica. O canil não possuía registros obrigatórios sobre ciclos de cio, coberturas, número de gestações por fêmea, idade dos animais ou intervalo entre gestações. Fêmeas prenhas não eram mantidas em ambientes adequados. Também não havia acompanhamento veterinário regular, controle de parasitas, monitoramento de peso dos filhotes, comprovação de vacinação conforme a idade, e os filhotes não permaneciam com as mães pelo período mínimo recomendado.
Próximos passos
Após o resgate, os animais serão avaliados pela ONG, que fornecerá os primeiros atendimentos e exames. Em seguida, serão encaminhados para adoção responsável. A operação foi desencadeada após denúncia anônima, e a Vigilância Sanitária determinou a interdição do canil.



