Juíza morre após coleta de óvulos em Mogi das Cruzes; polícia investiga
Juíza morre após coleta de óvulos em clínica de Mogi

O corpo da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, é velado nesta quinta-feira (7) em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A magistrada morreu após sofrer uma hemorragia durante um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de reprodução assistida.

Velório e sepultamento

O velório começou às 17h na Primeira Igreja Batista, no bairro César de Sousa. Segundo a família, uma cerimônia fúnebre será realizada às 20h. Na sexta-feira (9), às 9h, o corpo sairá em cortejo para o Cemitério da Saudade, onde será realizado o sepultamento.

Investigação policial

A juíza morreu na manhã desta quarta-feira (6), e a Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso. O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita e morte acidental. A investigação apura se a morte foi causada por complicações médicas relacionadas ao procedimento ou por possível falha no atendimento.

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Nota da clínica

Após a repercussão do caso, a Clínica Invitro Reprodução Assistida, onde o procedimento foi realizado, informou, em nota, que a equipe médica adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência” e prestou atendimento emergencial à paciente. A unidade afirmou ainda que Mariana foi encaminhada para um hospital com acompanhamento pela equipe e do médico responsável pelo procedimento. A clínica também declarou que “todo procedimento cirúrgico e médico possui riscos inerentes e intercorrências possíveis” e disse que atua dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis.

Atendimento hospitalar

O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou que a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Detalhes do ocorrido

Segundo boletim de ocorrência, Mariana realizou a coleta de óvulos na manhã de segunda-feira (4). Após receber alta por volta das 9h, ela voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores e sensação de frio. Diante da piora do quadro, a mãe levou a juíza novamente à clínica por volta das 11h. No retorno, Mariana relatou inicialmente que acreditava ter urinado na roupa, mas a equipe médica constatou que ela apresentava uma hemorragia vaginal. O médico responsável realizou os primeiros atendimentos e chegou a fazer uma sutura na região para tentar conter o sangramento.

Transferência e agravamento

Após a intervenção inicial, Mariana foi encaminhada para a Maternidade Mogi Mater, onde deu entrada às 17h e foi levada diretamente para a UTI. No dia seguinte, terça-feira (5), a paciente passou por uma cirurgia às 21h. Apesar das medidas adotadas, o quadro clínico evoluiu de forma grave. Na madrugada de quarta-feira (6), Mariana sofreu duas paradas cardiorrespiratórias. Mesmo com as tentativas de reanimação, a morte foi confirmada às 6h03. A unidade afirmou que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente.

Quem era a juíza

Mariana era natural de Niterói (RJ) e tomou posse como juíza no Rio Grande do Sul em dezembro de 2023. Ela atuava na Vara Criminal da Comarca de Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lamentou a morte da magistrada e destacou sua trajetória na carreira. A corregedora responsável pela comarca afirmou que a juíza se destacou pelo “zelo na apreciação das causas” e pelo comprometimento com a efetividade das decisões. O tribunal também decretou luto oficial de três dias. A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS) manifestou “profundo pesar e consternação” pela morte da juíza.

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Notas oficiais

Clínica Invitro Reprodução Assistida: “Viemos a público manifestar profundo pesar pelo falecimento da Mariana, ocorrido na manhã de ontem, 06/05/26. Desde os primeiros sinais de intercorrência, toda a equipe médica e assistencial adotou imediatamente os protocolos técnicos e medidas cabíveis, prestando o atendimento emergencial necessário dentro da clínica e providenciando o encaminhamento da paciente à unidade hospitalar adequada para continuidade da assistência médica especializada, sempre com o acompanhamento da nossa equipe e do médico responsável pelo procedimento. [...] Toda a equipe lamenta profundamente o ocorrido, solidariza-se com familiares e amigos e reafirma seu compromisso com a ética, responsabilidade profissional, transparência e segurança no atendimento de todos os pacientes.”

Hospital e Maternidade Mogi Mater: “Mariana deu entrada na unidade na tarde de segunda-feira (4), levada pela mãe ‘por meios próprios’, com quadro de hemorragia aguda. A paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a UTI. Todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, na tentativa de estabilizar o quadro clínico. [...] Apesar de todos os esforços empregados pela equipe hospitalar, infelizmente ela veio a óbito no dia seguinte.”