O juiz Fernando Augusto Chacha, ao proferir a sentença de Maria Renata de Merces Rodrigues e Kaio Rodrigues Matos, condenados pela morte do estudante Nicollas Serafim, de 14 anos, fez uma ponderação que chamou a atenção. Os réus foram sentenciados a quase 70 anos de prisão, somadas as penas. O magistrado destacou que o crime poderia ter sido evitado se houvesse um momento de reflexão antes da ação impulsiva.
O crime e o julgamento
Nicollas Serafim foi morto no dia 20 de fevereiro de 2024, durante uma briga generalizada na porta do Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza, no Parque Calixtopolis, em Anápolis. A confusão teria começado após desentendimentos envolvendo um jogo online, segundo o delegado responsável. Dois outros adolescentes ficaram feridos.
No julgamento, que durou cerca de 12 horas, a 4ª Vara Criminal de Anápolis condenou Maria Renata a 40 anos de reclusão e Kaio a 29 anos e 7 meses de reclusão, pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio por duas vezes. Maria Renata também foi condenada por corrupção de menores, enquanto Kaio foi absolvido dessa acusação. Além da prisão em regime fechado, foi determinada indenização de R$ 150 mil para a família de Nicollas e R$ 75 mil para cada um dos sobreviventes.
A reflexão do juiz
Ao ler a sentença, o juiz Chacha afirmou: “Se vocês tivessem pensado dez segundos a mais, ninguém estaria aqui hoje. Estariam todos vocês felizes, em casa. A vítima, réus...”. A declaração foi feita como um chamado à reflexão sobre as consequências dos atos impulsivos.
As defesas e recursos
A defesa de Maria Renata, representada pelos advogados Saulo Silva e Hélio Aquino, considerou o julgamento justo do ponto de vista processual, mas discordou da decisão do júri. A defesa informou que pontos da dosimetria da pena precisam ser ajustados e que irá recorrer da decisão.
Já a defesa de Kaio Rodrigues, representada pelos advogados Victor José, Layane Teles e Manfredo Vidal, entende que há circunstâncias relevantes que não foram devidamente consideradas na fixação da pena, especialmente na dosimetria, e também vai recorrer.
Detalhes do crime
Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que Maria Renata, segurando um martelo, e Kaio chegam ao local junto com outro filho dela. Ela começa a discutir com o grupo e, em seguida, Kaio e o irmão se envolvem em uma briga com outros dois meninos. Maria Renata também participa da confusão, ameaçando os jovens com o martelo. Mãe e filhos atingiram três estudantes, incluindo Nicollas.
Na delegacia, o adolescente afirmou que agiu para defender o irmão mais novo, que vinha sofrendo ameaças na escola. No entanto, o delegado Wllisses Valentim esclareceu que a briga ocorreu no dia seguinte a um jogo online, no qual houve ofensas entre os participantes, resultando no encontro marcado na saída da escola.
Os outros dois adolescentes feridos, de 12 e 15 anos, foram levados para o Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana).



