Ginecologista preso por suspeita de estupro de pacientes em Goiás
Ginecologista preso suspeito de estuprar pacientes em Goiás

O médico ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (23) sob suspeita de estuprar pacientes durante consultas e exames em clínicas de Goiânia e Senador Canedo, em Goiás. Até o momento, 20 mulheres já denunciaram o profissional à Polícia Civil, que investiga o crime de estupro de vulnerável.

Perfil do médico

Marcelo Arantes é formado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás desde 2002, com especialização em ginecologia, obstetrícia e tratamentos de infertilidade por técnicas de fertilização assistida. Natural de Itaberaí, na região noroeste de Goiás, reside em Goiânia, é casado e tem dois filhos, conforme documento de audiência de custódia.

Investigação e denúncias

De acordo com a delegada Amanda Menuci, responsável pelo caso em Goiânia, as investigações revelaram relatos consistentes de abusos ocorridos entre 2017 e 2026. A polícia aponta que Marcelo tentava conquistar a confiança das pacientes para cometer os crimes. Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (24), a delegada Gabriela Souza de Moura, de Senador Canedo, afirmou que o médico possui um “perfil predatório” e se aproveitava da fragilidade das vítimas.

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“Temos vítimas variadas, com idades entre 18 e 25 anos. Percebemos que ele aproveitava momentos de vulnerabilidade, como antes de procedimentos cirúrgicos ou em primeiras consultas ginecológicas de pacientes muito jovens”, declarou a delegada.

Modus operandi

Desde o início da investigação, a polícia identificou um padrão repetitivo nos relatos: consultas marcadas por toques físicos indesejados e perguntas inapropriadas. Uma paciente disse ter sido abusada mais de uma vez, inclusive na presença da filha adolescente. Outra vítima relatou prática de sexo oral.

A delegada Amanda Menuci explicou que o crime é tipificado como estupro de vulnerável devido à situação de vulnerabilidade no ambiente ginecológico. “Naquele local, as pacientes estavam em completo estado de vulnerabilidade, incapazes de oferecer resistência, até pela posição física, com as pernas abertas e muitas vezes presas”, afirmou. Ela também destacou o fator psicológico, já que as mulheres estavam sob autoridade médica e em inferioridade técnica.

Prisão e reações

Marcelo passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (24), e a prisão preventiva foi mantida pela Justiça. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial e que todas as denúncias são apuradas em sigilo. A clínica onde ele atuava em Goiânia decidiu pelo desligamento imediato do profissional, classificando as acusações como “graves, intoleráveis e absolutamente incompatíveis com os valores éticos”. Já a unidade de Senador Canedo informou que Marcelo não fazia parte do corpo clínico há mais de um ano.

Defesa do médico

Em nota enviada em 16 de abril, os advogados de Marcelo afirmaram que ele é um médico ético e bem conceituado, que contribui com a Justiça e se absteve do registro profissional até melhor apuração dos fatos. “Prevalece a convicção de que ele será absolvido, como já ocorreu em um dos processos”, diz a nota.

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