O ex-diretor de uma das unidades do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, tornou-se réu na Justiça por assédio sexual e moral contra uma policial penal que estava sob sua subordinação. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal em março e o caso corre em segredo de justiça para proteger a identidade da vítima.
Detalhes da denúncia
De acordo com os autos, Mayk Steve Richter Nobre teria cometido os crimes enquanto ocupava o cargo de diretor da Penitenciária do Distrito Federal IV, uma unidade de segurança máxima da Papuda. O processo descreve que Nobre se aproveitou de sua posição de chefia para constranger a vítima com investidas sexuais. Após ser rejeitado, passou a intimidá-la e humilhá-la no ambiente de trabalho.
O Ministério Público enquadrou o caso nos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal com intimidação sistemática. Além disso, solicitou à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais.
O que diz a denúncia
A denúncia destaca que o acusado se valeu de sua condição de superior hierárquico para praticar as condutas, sendo que a vítima estava diretamente subordinada a ele na época dos fatos. Os episódios teriam ocorrido entre junho e dezembro de 2025. As investidas começaram quando Nobre, sem consentimento, massageou os ombros da vítima. Posteriormente, em uma conversa, ele relembrou o episódio e afirmou ter ficado sexualmente excitado.
Em outra ocasião, após a vítima publicar uma foto com uma taça de vinho, o então diretor perguntou se ela já havia tomado banho. Diante da resposta negativa, disse: “então toma banho e me manda foto para me ajudar numa coisinha aqui”.
O MP afirma que, mesmo após várias recusas, o acusado insistiu nas investidas. Nas mensagens, a vítima respondeu: “Para com isso”, “Pelo amor de Deus, homem” e questionou: “Por que você tá agindo assim comigo? Eu nunca dei em cima de você”. Também consta na denúncia que o ex-diretor enviou uma imagem íntima e pediu que a vítima fizesse o mesmo.
Humilhações e perseguição
Após a rejeição, o comportamento evoluiu para episódios de constrangimento no trabalho. Segundo o MP, o então diretor passou a adotar condutas de intimidação, com gritos, cobranças públicas e ameaças administrativas. Ele também criava obstáculos para que a vítima fizesse plantões de interesse e tentou impedi-la de usufruir da folga de aniversário, ameaçando dar “falta” caso não comparecesse.
De acordo com o Ministério Público, as atitudes configuram não só assédio sexual, mas também assédio moral, com prejuízos à saúde emocional e ao ambiente de trabalho da servidora. O documento aponta que a situação gerou boatos no ambiente de trabalho que prejudicaram a reputação da vítima, incluindo comentários de que ela seria “amante” do diretor.
Apoio e medidas administrativas
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal informou que acompanha o caso e presta apoio à vítima. Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) afirmou que, até o momento, não foi formalmente comunicada pelo Poder Judiciário sobre o recebimento da denúncia. A pasta disse ainda que, ao tomar conhecimento dos fatos, promoveu o afastamento preventivo do servidor e instaurou procedimento administrativo para apuração.
O g1 apurou que Mayk Steve Richter Nobre foi exonerado do cargo de diretor da Penitenciária IV em 16 de janeiro deste ano. A reportagem tenta contato com a defesa.



