Polícia Civil prende empresário na 2ª fase da Operação Amicis no RN
Empresário preso na 2ª fase da Operação Amicis no RN

Segunda fase da Operação Amicis resulta na prisão de empresário em Parnamirim

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou, na manhã desta terça-feira (28), a segunda fase da Operação Amicis, resultando na prisão temporária de um empresário suspeito de envolvimento em crimes como lavagem de dinheiro e estelionato. A prisão ocorreu em um condomínio de alto padrão no bairro Emaús, em Parnamirim, na região metropolitana de Natal. Além da detenção, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

Desdobramento da investigação iniciada em junho de 2025

De acordo com a corporação, esta nova fase é um desdobramento da operação iniciada em junho de 2025, que investiga crimes tributários, fraude patrimonial, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Na primeira fase, empresários, influenciadores e contadores foram alvos da operação que investiga uma fraude milionária. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 150 milhões e foram cumpridos 53 mandados de busca, com apreensão de lancha, motorhome e carros de luxo.

Vazamento de informações e destruição de provas

Segundo a Polícia Civil, a análise pericial de aparelhos eletrônicos apreendidos na primeira etapa revelou novos elementos relevantes para a investigação. Entre eles, há indícios de vazamento de informações sigilosas sobre a própria operação. Há suspeita de que alvos tenham tido acesso antecipado às medidas cautelares antes da deflagração oficial da ação policial. Os peritos também identificaram indícios de destruição de provas digitais após o suposto vazamento, como a exclusão de mensagens e registros de comunicação. Parte desses dados, no entanto, foi recuperada por meio de perícia técnica.

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Com base nas novas evidências, a Polícia Civil solicitou novas medidas cautelares à Justiça, incluindo a prisão temporária de um dos principais investigados. Os investigadores apontam ainda que, além dos crimes já apurados, surgiram indícios de possíveis delitos contra a administração pública e contra a administração da Justiça.

Fraudes bancárias e sonegação fiscal

O grupo investigado é suspeito de fraude bancária, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de veículos no estado. Em março deste ano, o Ministério Público ofereceu denúncia contra 16 pessoas que teriam causado prejuízo estimado de R$ 3,8 milhões a bancos e empresas administradoras de consórcios. Um casal, segundo o MP, é tido como chefe do esquema. O marido e a mulher respondem individualmente por 65 crimes de falsidade ideológica e 17 crimes de estelionato. O casal também é tido como responsável por coordenar a criação de dezenas de empresas de fachada para ocultar patrimônio e lesar credores. O MP informou que o esquema focava na obtenção de vultosos empréstimos e no financiamento de veículos pesados e de luxo que jamais eram quitados.

Papel do contador e outros núcleos

Um contador é apontado como peça técnica indispensável para a manutenção do esquema. Ele foi denunciado pelo MP por 42 crimes de falsidade ideológica, além de associação criminosa. Segundo as investigações, ele se utilizava da prerrogativa profissional para forjar documentos societários, inserir dados falsos em sistemas públicos e fabricar faturamentos milionários inexistentes para induzir as instituições financeiras a erro. Outro suspeito funcionava como um dos operadores financeiros estratégicos para a circulação de valores ilícitos através de talões de cheques e transferências de empresas de fachada. Já o núcleo dos "laranjas" era composto por outros suspeitos, que respondem por diversos crimes de falsidade ideológica e estelionato por terem cedido nomes e CPFs para a abertura das empresas e para a aquisição de bens. Em muitos casos, segundo o MP, eram pessoas de baixa renda que recebiam promessas de recompensa para participar da fraude.

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