Empresária presa por agredir doméstica grávida já foi condenada por desviar R$ 20 mil da irmã
Empresária presa por agredir doméstica grávida já foi condenada por furto

Empresária já tinha condenação por furto contra a irmã

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, presa nesta quinta-feira (7) suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de 19 anos, também foi condenada em 2023 por furto qualificado contra a própria irmã. A condenação ocorreu em conjunto com o marido dela, Yuri Silva do Nascimento. Segundo a decisão judicial, o casal desviou mais de R$ 20 mil de uma escola de natação em São Luís, estabelecimento pertencente a uma irmã de Carolina Sthela.

Esquema de desvio de mensalidades

De acordo com a decisão, o desvio ocorreu entre dezembro de 2020 e março de 2021. Na época, Carolina trabalhava como assistente de recursos humanos e secretária da escola de natação. O dinheiro foi desviado por meio do recebimento de mensalidades de alunos em contas pessoais dos condenados. A Justiça apontou que Carolina usava a posição de confiança para direcionar os pagamentos para contas dela ou de Yuri. Yuri também frequentava a academia quase todos os dias e tinha a confiança das proprietárias por ser cunhado de uma delas, chegando a substituir Carolina na secretaria informalmente por um curto período.

Como funcionava o esquema

Segundo a decisão, Carolina enviava links de pagamento diretamente para contas dela ou do companheiro. Quando os alunos pagavam presencialmente com cartão, ela usava uma maquininha pertencente a Yuri, em vez da máquina da empresa. Para esconder os desvios, Carolina registrava as mensalidades no sistema Tecnofit por meio de “caixas retroativos”, dificultando a identificação das irregularidades no fechamento diário das contas. O esquema foi descoberto após uma cliente, ao ser cobrada por um débito, apresentar comprovante de pagamento feito para a conta de um antigo companheiro de Carolina. Uma auditoria contábil confirmou o desvio de R$ 20.121,65.

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Defesa e condenação

Em juízo, Carolina afirmou que as acusações não eram verdadeiras e que as proprietárias da academia tinham conhecimento e autorizavam os recebimentos nas contas dela e de Yuri. O marido apresentou a mesma linha de defesa. No entanto, a Justiça não aceitou a versão, considerando o conjunto de provas “inequívoco e convincente”. Carolina Sthela e Yuri Silva foram condenados por furto qualificado mediante fraude e concurso de agentes. No caso de Carolina, foi reconhecido o agravante de abuso de confiança devido à função de secretária. Eles foram condenados a 2 anos e 8 meses de reclusão em regime aberto, pena substituída por restritivas de direitos, como prestação de serviços à comunidade e limitação de fim de semana.

Empresária tem mais de dez processos

Segundo a Polícia Civil do Maranhão, Carolina Sthela já teve mais de dez processos contra ela. Em um deles, de 2024, foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários, além de indenização de R$ 4 mil por danos morais. A ex-babá Sandila Souza afirmou que começou a trabalhar na casa aos 17 anos e que o pagamento era feito por contas de terceiros, nunca diretamente pela patroa. Ela também disse que a indenização ainda não foi paga.

Presa no Piauí enquanto tentava fugir

A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que Carolina foi presa em Teresina (PI) no fim da manhã desta quinta, quando tentava fugir. A empresária foi localizada após parar em um posto de gasolina no bairro São Cristóvão, perto da Secretaria de Segurança Pública do Piauí. A prisão foi feita pelas polícias civis do Piauí e do Maranhão, em ação conjunta. De acordo com a SSP-PI, Carolina estava hospedada na casa de um familiar e era monitorada pela Polícia Civil. Ela foi presa no momento em que abastecia o carro para fugir do estado. O delegado Matheus Zanatta afirmou que o objetivo dela era fugir, provavelmente para outro estado. O delegado Yan Brayner, diretor de inteligência, disse que Carolina estava abastecendo com o objetivo de se evadir do Piauí. O marido e o filho de seis anos da mulher também estavam no veículo. A defesa nega que ela tentasse fugir, alegando que Carolina estava no Piauí para deixar o filho com familiares e que não tem interesse em se omitir.

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Detalhes do caso de agressão

A Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva da empresária após pedido da Polícia Civil. Na quarta-feira (6), equipes foram à casa de Carolina para intimá-la a depor, mas ela não foi encontrada. O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. A vítima, uma jovem de 19 anos grávida de cinco meses, registrou boletim de ocorrência. Ela afirmou que foi agredida após ser acusada de roubar joias. Durante os ataques, levou puxões de cabelo, socos e murros, foi derrubada no chão e tentou proteger a barriga. Mesmo após o anel ser encontrado em um cesto de roupas sujas, as agressões continuaram. A vítima disse que foi ameaçada de morte por Carolina caso contasse à polícia. Um homem não identificado também participou das agressões. A OAB classificou o caso como tortura agravada, lesão corporal, ameaça e calúnia.

Condições de trabalho

A jovem afirmou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho, com jornada de segunda a sábado das 9h às 19h e apenas 30 minutos de intervalo. Ela acumulava funções de limpeza, cozinha, lavagem, passagem de roupas e cuidados com o filho de seis anos da ex-patroa. O pagamento foi feito de forma fracionada por transferências em nome de terceiros.

Áudios revelam agressões

Áudios enviados pela própria empresária e obtidos pela TV Mirante registram os relatos das agressões. Em uma mensagem, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”. Ela descreve que “quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos”. Nos áudios, ela conta que teve ajuda de um homem armado que foi até sua casa.

PMs afastados

Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das funções. A medida foi tomada após a divulgação de áudios em que Carolina afirma que não foi levada à delegacia por conhecer um dos policiais. Segundo ela, o agente teria dito que, por causa dos hematomas, ela deveria ter sido conduzida à delegacia, o que não ocorreu.

Nota da empresária

Carolina Sthela afirmou, por meio de nota, que colabora com as investigações e que apresentará sua versão no momento oportuno. Ela repudiou qualquer forma de violência e pediu que não haja “julgamento antecipado”. A defesa disse que a investigada não tem interesse em se omitir e vai cumprir as determinações judiciais.