O Banco Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrota de Jorge Messias estão diretamente interligados nos bastidores de Brasília. O caso que envolve a instituição financeira acabou atingindo em cheio ministros da Corte, como Alexandre de Moraes, devido ao contrato de sua esposa com o empresário Daniel Vorcaro, e também Dias Toffoli, já que uma empresa ligada a ele vendeu parte de um resort para o mesmo empresário. No Senado, o episódio respingou no presidente da Casa, Davi Alcolumbre, uma vez que o fundo de previdência do Amapá, que tinha um indicado seu na gestão, fez negócios com Vorcaro.
Relações cruzadas
Esse conjunto de relações acabou cruzando interesses. Alexandre de Moraes tem proximidade com Rodrigo Pacheco, nome apoiado por Alcolumbre para uma vaga no STF, e também mantém relação próxima com o próprio presidente do Senado. Por outro lado, o ministro André Mendonça, que é evangélico, entrou como um dos principais apoiadores da indicação de Messias. Depois de declarar apoio, Mendonça tornou-se relator justamente do caso Banco Master e deu andamento à investigação, com potencial de atingir tanto Alcolumbre quanto ministros da Corte.
Fortalecimento de grupos
O avanço do nome de Messias, com apoio de Mendonça e de outros ministros, passou a ser interpretado como um fortalecimento de um grupo dentro do STF, em contraposição a outro bloco, associado a Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Flávio Dino, que não demonstrava o mesmo entusiasmo com a indicação. A disputa não começou agora. Messias queria ter sido indicado anteriormente para a vaga que acabou ficando com Flávio Dino, escolhido por Lula e aprovado pelo Senado.
Resistência interna
Diante desse cenário, integrantes do governo passaram a enxergar atuação de ministros ligados a esse grupo contrário nos bastidores, operando para dificultar a aprovação do nome de Messias. A leitura que circula entre aliados é direta: houve resistência dentro do próprio Supremo. E, na avaliação de um integrante do governo ouvido pelo blog: “Os nossos, no STF, foram contra Messias”.
Senado impõe derrota inédita ao Palácio do Planalto e rejeita indicação de Jorge Messias para vaga no Supremo Tribunal Federal.



