Condenação de policiais militares por crimes organizados no Ceará
A Justiça Militar de Fortaleza condenou três policiais militares a um total de 114 anos de prisão por integrarem uma organização criminosa especializada em extorquir traficantes de drogas no estado do Ceará. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (26) e representa mais um capítulo da Operação Gênesis, investigação do Ministério Público cearense que desmantela grupos criminosos formados por agentes da segurança pública.
Detalhes das condenações e absolvições
Os três policiais condenados são Paulo Rogério Bezerra do Nascimento (70 anos de prisão), Ronaldo Gomes Silva (25 anos e 6 meses) e Auricélio da Silva Araripe (18 anos e 6 meses). Todos perderão seus cargos na corporação. Cinco outros policiais denunciados no mesmo processo foram absolvidos, enquanto um nono acusado faleceu antes do julgamento.
O processo judicial concentrou-se especificamente nos crimes de extorsão e associação criminosa conforme o Código Penal Militar, embora a denúncia original mencionasse múltiplas infrações incluindo tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e corrupção. A sentença destacou que os acusados transformaram atividades criminosas em "verdadeiro meio de vida", utilizando a estrutura policial para suas operações ilícitas.
Modus operandi da organização criminosa
Segundo as investigações, o grupo atuava localizando traficantes, agiotas ou pessoas com processos judiciais e as ameaçava com prisão caso não pagassem quantias exigidas. A denúncia documenta pelo menos 11 ocasiões onde esse esquema foi executado, principalmente na capital Fortaleza e região metropolitana.
A Operação Gênesis, iniciada em 2020, revelou que esses policiais frequentemente atuavam em parceria com traficantes, criando uma perigosa simbiose entre agentes do estado e o crime organizado. A sentença judicial observou que além das extorsões, os envolvidos realizavam negociações ilícitas de armas de fogo e munições.
Histórico de condenações anteriores
Este caso conecta-se a condenações anteriores de policiais militares no Ceará:
- Em dezembro de 2024, quinze PMs foram condenados por integrar redes criminosas similares
- O grupo chefiado por Jeovane Moreira Araújo resultou em sentença de 124 anos de prisão em agosto de 2024
- Paulo Rogério, líder do segundo grupo, já havia sido sentenciado a mais de 60 anos em 2024, recebendo agora acréscimo de 70 anos
- Auricélio Araripe acumula condenações que totalizam 39 anos entre os processos de 2024 e 2026
- Antônio Danúzio Silva, absolvido nesta ação, já cumpria sentença de 7 anos por condenação anterior
A Vara de Justiça Militar enfatizou que os processos contra esses policiais continuam em andamento para outros crimes não abordados neste julgamento específico. O caso expõe desafios significativos de corrupção institucional e infiltração do crime organizado nas forças de segurança do estado.



