O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (29) que o ex-diretor do FBI James Comey utilizou uma expressão da máfia para ameaçá-lo de morte. Segundo Trump, uma publicação nas redes sociais com os números "86" e "47" indicaria essa intenção.
Na terça-feira (28), a Justiça dos EUA emitiu um mandado de prisão contra Comey devido à publicação. O post, feito em maio do ano passado no Instagram, mostra conchas organizadas na areia formando os números 86 e 47. Nos Estados Unidos, o número "86" é uma gíria que pode significar "dispensar" ou "descartar". Em usos mais recentes, ainda pouco comuns, o termo também pode ser associado a "matar". Já o número 47 seria uma referência ao fato de Trump ser o 47º presidente dos EUA.
Em entrevista coletiva na Casa Branca, Trump afirmou que a máfia usa o número 86 como referência para matar alguém. "Bom, se tem uma coisa que quem entende de crime sabe é que ‘86’ é um termo da máfia pra ‘apagar alguém’. Nunca viu nos filmes?", disse o presidente. Ele também declarou acreditar que Comey poderia colocar sua vida em risco, por ser um "policial corrupto". Segundo Trump, pessoas como o ex-diretor do FBI colocaram vários políticos em perigo.
Comparecimento ao tribunal
Mais cedo, Comey compareceu a um tribunal federal no estado da Virgínia para responder às acusações de ameaçar a vida do presidente e de transmitir ameaças entre estados. O ex-diretor do FBI não se pronunciou durante a breve audiência e foi liberado em seguida. O advogado de defesa, Patrick Fitzgerald, afirmou que vai argumentar que o caso é uma perseguição vingativa, instaurada para punir Comey por exercer direitos legais.
Em um vídeo publicado na terça-feira, Comey declarou-se inocente e afirmou que vai contestar as acusações na Justiça.
Batalha judicial
Este é o segundo processo criminal movido pelo Departamento de Justiça contra o ex-chefe do FBI, considerado um adversário político de Trump. Em setembro de 2025, Comey foi acusado de mentir e obstruir o Congresso em depoimento prestado em 2020, relacionado ao suposto compartilhamento de informações internas com um jornalista. Ele negou irregularidades, e o caso acabou arquivado após um juiz concluir que o promotor responsável havia sido nomeado de forma ilegal.
A abertura de um novo processo, meses após o arquivamento de uma acusação anterior, deve reforçar o argumento da defesa de que o governo Trump estaria mirando Comey de forma deliberada.
Relação conturbada
Comey assumiu o comando do FBI em 2017, indicado pelo então presidente Barack Obama, e já havia ocupado cargos de destaque no Departamento de Justiça durante o governo George W. Bush. A relação com Trump, porém, foi tensa desde o início. Segundo relatos, Comey se recusou a prometer lealdade pessoal ao presidente durante um jantar privado — episódio que o levou a registrar o encontro em um memorando.
Trump demitiu Comey em maio de 2017, em meio à investigação do FBI sobre possíveis conexões entre sua campanha e a Rússia. O inquérito foi posteriormente conduzido pelo procurador especial Robert Mueller, que concluiu que houve interferência russa na eleição, mas não encontrou provas suficientes de conluio criminoso.
O Departamento de Justiça também investiga o ex-diretor da CIA John Brennan, outro nome central nas apurações sobre a Rússia e frequentemente criticado por Trump.



