Érika Hilton e presidente do SBT conversam após declarações transfóbicas de Ratinho
Érika Hilton conversa com chefona do SBT após transfobia de Ratinho

Diálogo entre parlamentar e presidente do canal ocorre após episódio de transfobia na TV aberta

A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) revelou detalhes sobre uma conversa telefônica mantida com a presidente do SBT, Daniela Beyruti Abravanel, após o apresentador Ratinho proferir uma série de ofensas transfóbicas contra a parlamentar durante seu programa ao vivo na última terça-feira, 11 de março de 2026.

Contato direto e posicionamento da emissora

Nas redes sociais, a política explicou que entrou em contato com a direção do canal imediatamente após o ocorrido, enviando uma carta e solicitando uma conversa com a máxima autoridade da emissora. "Ela me atendeu prontamente, conversamos, e reforçou que as declarações do apresentador Ratinho não representam a opinião do SBT", escreveu Hilton em sua publicação.

A parlamentar destacou ainda a importância histórica da televisão em sua vida, mencionando especificamente o canal fundado por Silvio Santos, e expressou esperança de que medidas concretas sejam implementadas. "Sempre gostei da televisão. Por isso, espero que avancemos e farei tudo que estiver ao meu alcance para termos ambientes seguros para todas as mulheres em quaisquer espaços que elas estejam", afirmou.

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Ações jurídicas já em andamento

Érika Hilton também informou que já tomou as providências legais cabíveis diante do caso:

  • Entrou com ação contra o apresentador no Ministério Público
  • Acionou o Ministério das Comunicações para solicitar a suspensão do programa

Em suas declarações, a deputada classificou as falas de Ratinho como "gravíssimas" e alertou para "uma escalada preocupante" no discurso de ódio contra pessoas trans. "Um apresentador, em plena TV aberta, se sente autorizado a ridicularizar e debochar de toda uma comunidade que já vive historicamente sob estigma e ódio. Não recuaremos, não desistiremos e não aceitaremos ser violentadas de forma tão baixa", reforçou.

O que foi dito por Ratinho

As declarações transfóbicas ocorreram durante o programa de Ratinho na noite de terça-feira, 11 de março, logo após a eleição de Érika Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. O apresentador questionou publicamente a identidade de gênero da parlamentar:

  1. "Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher"
  2. "Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente"
  3. "Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher"

Posicionamento oficial do SBT

Em nota oficial divulgada à imprensa, o SBT se posicionou sobre o ocorrido:

"O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, e práticas como essa contrariam os valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores".

O episódio reacendeu o debate sobre transfobia na mídia brasileira e a responsabilidade das emissoras de televisão em coibir discursos de ódio em sua programação, especialmente em horário nobre e com ampla audiência.

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