Jesse Jackson, símbolo da luta pelos direitos civis, morre aos 84 anos nos Estados Unidos
O reverendo Jesse Jackson, incansável ativista pelos direitos civis e pastor batista, faleceu nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, aos 84 anos de idade. Suas duas campanhas presidenciais nos anos 1980 abriram caminho histórico para a chegada à Casa Branca, duas décadas depois, do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama.
Legado de um gigante da igualdade racial
Ao anunciar sua morte, a família de Jackson destacou que "sua fé inabalável na justiça, na igualdade e no amor inspirou milhões de pessoas". Em um comunicado emocionante, os familiares afirmaram: "Nosso pai foi um líder servil, não apenas para nossa família, mas para os oprimidos, os que não têm voz e os ignorados de todo o mundo".
Companheiro próximo de Martin Luther King nos anos 1960, Jackson esteve presente em alguns dos maiores episódios da longa luta pela igualdade nos Estados Unidos. Nascido em 8 de outubro de 1941, em um país marcado pela segregação racial, ele dedicou sua vida a derrubar barreiras que limitavam o espaço político aberto aos afro-americanos.
Presença em momentos históricos decisivos
Jackson estava em Memphis com Martin Luther King em 1968, quando ocorreu o assassinato do gigante da luta pelos direitos civis. Anos mais tarde, foi visto chorando em silêncio entre a multidão que celebrava a vitória de Barack Obama em 2008. Mais recentemente, em 2021, esteve ao lado da família de George Floyd após o veredicto histórico que declarou culpado o policial branco Derek Chauvin pela morte do afro-americano.
"Meus eleitores são os desesperados, os condenados, os deserdados, os ignorados, os desprezados", declarou o pastor na convenção democrata de 1984, definindo sua base de apoio e sua missão política.
Trajetória de ativismo e organização
Foi nos anos 1960 que Jackson se tornou conhecido, trabalhando inicialmente sob a orientação de Luther King para a Conferência Cristã de Liderança do Sul (SCLC), uma organização de luta pelos direitos civis baseada no espírito cristão da não violência. Posteriormente, criou outras duas organizações fundamentais:
- PUSH (Pessoas Unidas para Salvar a Humanidade) em 1971
- Coalizão Nacional Arco-Íris nos anos 1980, que uniria em 1996
Campanhas presidenciais e a "base comum"
Foi com suas campanhas presidenciais que Jesse Jackson se tornou conhecido por um público muito mais amplo, colocando as questões afro-americanas no centro do debate democrata. Em sua primeira tentativa presidencial, em 1984, foi o primeiro candidato afro-americano a chegar tão longe, ficando em terceiro lugar nas primárias democratas.
Quatro anos depois, voltou à convenção democrata, desta vez ficando atrás do futuro candidato Michael Dukakis. No palco, o religioso exortou os americanos a se unirem em uma "base comum", atacando as políticas econômicas liberais do republicano Ronald Reagan e denunciando as desigualdades no sistema de saúde.
Origens humildes e conquistas notáveis
Nascido Jesse Louis Burns em Greenville, na Carolina do Sul, filho de mãe solteira adolescente e de um ex-boxeador profissional, Jackson teve uma infância difícil. Sua mãe se casou mais tarde com Charles Jackson, de quem adotou o sobrenome. "Não nasci com uma colher de prata na boca. Era uma pá o que estava previsto para minhas mãos", declarou certa vez sobre suas origens.
Aluno brilhante no ensino médio, recebeu uma bolsa como jogador de futebol americano para ingressar na universidade. Em 1960, participou de seu primeiro protesto sentado contra a discriminação e, cinco anos depois, juntou-se à famosa marcha pelos direitos dos negros entre Selma e Montgomery, no Alabama.
Atuação diplomática e controvérsias
Anos mais tarde, Jackson tornou-se mediador diplomático, defendendo o fim do apartheid na África do Sul e, nos anos 1990, atuou como enviado especial responsável pela África na administração de Bill Clinton. Também se destacou nas negociações para libertar reféns e prisioneiros americanos na Síria, no Iraque e na Sérvia.
Por outro lado, seu encontro em 2005 com o presidente venezuelano Hugo Chávez e sua presença em seu funeral em 2013 lhe renderam fortes críticas. Durante sua campanha de 1984, também enfrentou polêmica ao usar um termo considerado antissemita em discurso em Nova York, pelo qual se desculpou pouco depois.
Últimos anos e doença
Em 2017, Jackson anunciou que sofria da doença de Parkinson, o que levou à redução de seus compromissos públicos. No entanto, mesmo com saúde fragilizada, em abril de 2021 acompanhou a família de George Floyd em Minneapolis e declarou após o veredicto: "A luta pela igualdade é um longo combate neste país".
Seu discurso eletrizante e sua presença carismática o tornaram uma figura icônica, embora não tenha conseguido manter a mesma influência política nos anos seguintes. Pioneiro em muitos aspectos, Jesse Jackson deixa um legado indelével na história dos direitos civis e na luta pela igualdade racial nos Estados Unidos e no mundo.



