A Flórida está em negociação com o governo de Donald Trump para encerrar as atividades do centro de detenção de imigrantes conhecido como 'Alcatraz dos Jacarés', instalado nos Everglades, uma reserva pantanosa no sul do estado americano. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times nesta quinta-feira, 7, com base em relatos de um funcionário federal, um ex-funcionário do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e uma fonte próxima ao governador Ron DeSantis, republicano.
Inaugurado em julho de 2025, o centro é a primeira instalação estadual nos Estados Unidos a abrigar imigrantes detidos pelo governo federal. A construção custou centenas de milhões de dólares aos cofres da Flórida. As conversas para o fechamento ainda são preliminares, mas autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS) concluíram que o alto custo operacional não justifica a manutenção do local, conforme apurou o NYT.
Custos elevados e promessa de reembolso
Desde o início, DeSantis afirmou que os US$ 608 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) necessários para manter o centro por um ano seriam reembolsados pelo governo federal. No entanto, o pagamento não ocorreu devido a uma paralisação parcial do DHS. Embora a Câmara dos Representantes tenha aprovado o financiamento do DHS no final de abril, permitindo a retomada total das atividades, o valor ainda não foi repassado. Não há explicações oficiais para o atraso. Enquanto isso, a administração DeSantis gasta US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 4,9 milhões) por dia para manter o centro em operação.
Sucesso político e críticas
Apesar do impacto financeiro, DeSantis considera o centro um sucesso, destacando que ele forneceu ao governo Trump vagas adicionais para detentos federais. O governador também enfatizou que a instalação foi concebida como temporária. Desde sua abertura, o 'Alcatraz dos Jacarés' atraiu atenção internacional devido ao nome e à localização remota, cercada por animais selvagens.
O centro foi idealizado pelo procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, que argumentou que a localidade inóspita e as condições adversas desencorajariam imigrantes indocumentados a permanecerem nos EUA ou tentarem entrar ilegalmente. No entanto, críticos denunciam repetidas violações de direitos humanos. Em abril, uma petição apresentada a um tribunal federal por um advogado de dois detentos alegou que guardas espancaram e usaram spray de pimenta contra os homens durante um protesto contra o corte do acesso a telefones. O advogado apresentou uma foto de um dos detentos com um olho roxo.
Até o mês passado, o centro abrigava quase 1.400 homens, segundo dados do ICE. Dois terços deles foram classificados pela agência como não criminosos.



