O Morro Dois Irmãos, cartão-postal do Rio de Janeiro conhecido por sua vista deslumbrante que abrange praia, lagoa, Pão de Açúcar e Cristo Redentor, foi palco de um episódio de violência na manhã de segunda-feira, 20 de abril. Cerca de 200 turistas de diferentes nacionalidades, que madrugaram para apreciar o nascer do sol na trilha, foram surpreendidos por uma intensa troca de tiros e helicópteros sobrevoando a região.
Operação policial mira traficante Dada
A ação policial tinha como alvo Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada, chefe de uma quadrilha do sul da Bahia aliada ao Comando Vermelho, maior facção criminosa do estado. Dada estava refugiado na comunidade do Vidigal, na Zona Sul, e havia alugado uma casa na Rocinha para passar o feriado, com vista para o mar e piscina de borda infinita.
Turistas apavorados e em compasso de espera
Os visitantes, que buscavam paz e contato com a natureza, foram forçados a se agachar e se amontoar no alto do morro enquanto as balas cruzavam o céu. Por uma hora, ficaram sem saber o que aconteceria, até que a operação foi encerrada. O bandido, no entanto, conseguiu escapar, e a ação foi considerada malsucedida.
Uma turista relatou: “Passamos uma hora sem saber o que aconteceria”. O grupo foi obrigado a trocar a tranquilidade esperada pelo medo que os cariocas que vivem sob a mira de fuzis enfrentam diariamente.
Violência entranhada no cenário carioca
O incidente expõe a dura realidade da violência no Rio de Janeiro, onde criminosos dominam grandes áreas da cidade. A beleza do cartão-postal contrasta com a insegurança, mostrando como o crime organizado está entranhado no cotidiano. A operação, que envolveu helicópteros e intenso tiroteio, deixou os turistas em estado de choque, mas sem feridos.
Publicado em VEJA de 24 de abril de 2026, edição nº 2992.



