Reconstituição revela contradições em caso de jovem desaparecido em Guimarânia
Reconstituição revela contradições em desaparecimento

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou, na quarta-feira (6), a reconstituição dos momentos que antecederam o desaparecimento e a morte presumida de Wisley dos Reis da Silva, de 23 anos, em Guimarânia, no Alto Paranaíba. O procedimento identificou contradições nas versões apresentadas pelo principal suspeito, um amigo de infância do jovem, que está preso preventivamente.

Desaparecimento e investigação

Wisley desapareceu no dia 29 de janeiro após ir até o rio Espírito Santo acompanhado do amigo, de 25 anos, e não foi mais visto. Inicialmente tratado como afogamento, o caso passou a ser investigado como crime, e o amigo é apontado como principal suspeito. O nome dele não foi divulgado.

Segundo a polícia, o investigado fugiu da cidade após o desaparecimento, mas foi localizado e preso preventivamente em Belo Horizonte no dia 11 de abril de 2026. Ele segue à disposição da Justiça.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Versões contraditórias

Durante a reconstituição, o investigado foi questionado sobre o que teria ocorrido no dia do desaparecimento. Inicialmente, ele afirmou que deixou o local junto com a vítima, mas a versão apresentou contradições. De acordo com a polícia, a nova versão apresentada pelo investigado é de que Wisley teria pulado no rio por conta própria e se afogado. Ele também admitiu ter presenciado toda a cena, mas afirmou que não prestou socorro e deixou o local levando a bicicleta do amigo. O veículo foi entregue à família no dia seguinte, antes de o suspeito deixar a cidade. O investigado justificou a omissão de socorro alegando que o corpo de Wisley teria sido levado rapidamente pela correnteza.

Linha de investigação

Em nota, a Polícia Civil informou que a linha de investigação considera que a vítima não costumava se ausentar por longos períodos sem avisar, além do tempo de três meses desde o desaparecimento. A corporação também destacou que as declarações do investigado, que afirmou ter visto a vítima se afogando, reforçam a suspeita de crime violento. O corpo de Wisley ainda não foi encontrado, mas a Polícia Civil trata o caso como homicídio.

Relato da avó

A avó de Wisley, Mara Reis, afirma não ter dúvidas de que o amigo de infância matou o neto. Segundo ela, imagens de câmeras de segurança mostram os dois seguindo juntos em direção ao rio e, horas depois, o investigado retornando sozinho com a bicicleta da vítima. “Ele foi até a minha casa três vezes tentando tirar o Wisley de lá para levá-lo ao rio, mas eu não deixei. Mandei ele ir embora nas três vezes, mas ele insistia. Tenho certeza de que ele queria acabar com a vida dele. Espero que a Justiça faça ele confessar”, afirmou a avó.

Relembre o caso

Wisley estava desaparecido desde o dia 29 de janeiro. As buscas começaram no dia seguinte, após a avó procurar a Polícia Militar (PM). Segundo o namorado de Wisley, Danilo Alves da Silva, o último contato entre os dois aconteceu às 16h30 do dia 29. Na ocasião, Wisley perguntou se Danilo estava em casa e avisou que chegaria em cerca de 15 minutos. Como o jovem não apareceu, Danilo imaginou que ele tivesse ido para a casa da avó, onde também costumava dormir. Porém, no dia seguinte, a avó entrou em contato perguntando se o neto estava com ele.

Enquanto seguia para a casa da avó do namorado para tentar entender o que havia acontecido, Danilo encontrou o amigo de infância de Wisley com a bicicleta da vítima. Segundo ele, o homem afirmou que Wisley havia pedido para que o veículo fosse entregue. "Estamos juntos há dois anos e meio e não parecia haver nada de errado com o Wisley, ele estava normal quando nos falamos e sempre conversávamos sobre tudo. Se ele tivesse com algum problema eu saberia", disse Danilo à época. De acordo com a Polícia Civil, a bicicleta da vítima foi entregue pelo investigado diretamente à avó do jovem desaparecido.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Contradições e buscas

Segundo a PM, Wisley saiu em direção à Ponte Velha, no Rio Espírito Santo, localizada a cerca de 2 quilômetros da cidade, acompanhado do rapaz que depois devolveu a bicicleta. Cerca de 26 horas mais tarde, o homem retornou sozinho com o veículo. A versão apresentada pelo suspeito, de que Wisley teria apenas pedido para que a bicicleta fosse devolvida, levantou suspeitas. A PM identificou inconsistências no relato ao compará-lo com informações repassadas por testemunhas.

De acordo com a corporação, uma testemunha afirmou ter visto o jovem sendo arrastado pela correnteza do rio. No entanto, a mesma versão aponta que Wisley conseguiu sair da água sozinho e permaneceu próximo à ponte por um período, aparentando estar embriagado. O Corpo de Bombeiros realizou buscas no rio Espírito Santo, mas o jovem não foi localizado. Já no dia 2 de fevereiro, a PM recebeu uma denúncia informando que o desaparecido teria sido visto no terminal rodoviário de Araguari, que estava interditado. A informação foi apurada, mas Wisley não foi encontrado.

“Quero encontrar o corpo dele. Pelo amor de Deus, façam ele contar o que aconteceu. Esperamos que as autoridades façam justiça. Esse crime não pode ficar impune", clamou Mara.