Patroa suspeita de agredir doméstica grávida é investigada por cinco crimes no MA
Patroa suspeita de agredir doméstica grávida é investigada por cinco crimes (11.05.2026)

A Polícia Civil do Maranhão ouviu nesta segunda-feira (11) Yuri Silva do Nascimento, marido de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, presa suspeita de agredir a empregada doméstica Samara Regina, em São Luís. Yuri prestou depoimento pela manhã, acompanhado de advogado, e foi liberado após esclarecimentos. Na delegacia, ele afirmou que só soube do caso depois, quando foi chamado pelo irmão de Carolina.

Segundo a investigação, Yuri estava com Carolina e o filho do casal em Teresina, no Piauí, quando ela foi presa em um posto de combustíveis, cerca de 20 dias após o crime. O irmão de Carolina também foi ouvido pela polícia nesta segunda-feira. Ainda esta semana, os quatro policiais militares que atenderam a ocorrência devem prestar depoimento. Eles são investigados por não terem levado Carolina à delegacia após a denúncia de Samara, acusada pela patroa de furtar um anel de ouro.

Samara relatou que os policiais chegaram à casa de Carolina, conversaram rapidamente com a empresária e a levaram para a Delegacia da Mulher. “Bom, eles chegaram, eles não perguntaram nada. Só pediram o endereço e me levaram até lá, até a casa da Carolina. Eu fiquei dentro do carro enquanto eles iam falar com ela”, disse Samara. Durante o trajeto, os PMs questionavam se ela realmente não havia pego o anel.

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A TV Mirante teve acesso a imagens de câmeras de segurança próximas à casa de Carolina. Os vídeos mostram que, por volta das 10h30 do dia 17 de abril, chegaram ao local o sargento Cerqueira, o cabo Henrique e os soldados De Sá e Yuri. Em áudios obtidos pela investigação, Carolina descreve a abordagem e afirma que recebeu orientações do sargento Cerqueira para não contar que agrediu a empregada.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que os quatro policiais foram afastados das funções nas ruas e uma sindicância foi aberta para apurar a conduta. “A responsabilização é de acordo com a atuação de cada um. Se é o comandante que atendeu, a responsabilidade é maior, pois ele tem o poder de decisão de conduzir ou não”, explicou a coronel Augusta Andrade.

A investigação também aponta participação do policial militar Michael Bruno Lopes Santos, preso na semana passada. Em áudios, Carolina relata como ele teria participado das agressões. “Ele puxou a bicha (arma), tirou a touca da cabeça dela, pegou no cabelo, botou ela de joelho, puxou a bicha e botou na boca dela. ‘Eu acho bom você entregar logo esse anel!’”, diz Carolina em um dos áudios.

Samara afirmou que teve medo de morrer. “Eu senti medo. Porque não tinha ninguém ali. Só estava eu, ele e a Carolina. E se ela tinha chamado ele, não tinha ninguém para me ajudar”, contou. Carolina Sthela e Michael Bruno são investigados por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, cárcere privado, injúria, calúnia e difamação.

Samara passou por dois exames de corpo de delito que confirmaram as agressões. A perícia também concluiu que os áudios enviados por Carolina em um grupo de mensagens foram gravados pela própria empresária. Carolina está presa no Complexo Penitenciário de Pedrinhas e nega as agressões. A defesa alega que ela apresenta transtornos mentais. A polícia aguarda resultado de perícia em um DVR apreendido na casa de Carolina, que pode armazenar imagens das câmeras internas.

No primeiro Dia das Mães após o caso, Samara disse sentir alívio por estar bem com o filho Arthur, de seis meses. “Alívio, porque poderia não estar, né? Não estar comemorando se tivesse acontecido algo pior, mas é aliviante saber que está tudo bem”, afirmou. O governador do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou que Samara será contratada pelo governo como recepcionista e receberá assistência e auxílios.

Marido de suspeita presta depoimento

Yuri Silva do Nascimento, marido de Carolina, prestou depoimento na segunda-feira (11) e foi liberado. Ele disse que só soube do caso após ser chamado pelo irmão de Carolina.

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Empresária está presa

Carolina Sthela está presa desde quinta-feira (7), quando foi encontrada ao tentar fugir no Piauí. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, ela estava hospedada na casa de um familiar em Teresina. A defesa negou tentativa de fuga. No sábado (10), a advogada Nathaly Moraes deixou a defesa, alegando perseguições e ameaças.

Ainda no sábado, a Polícia Civil apreendeu dois veículos deixados em frente à casa de Carolina. Segundo a polícia, o carro e a moto foram abandonados por Carolina e Yuri antes da fuga. Os veículos estavam sem placas e passarão por perícia.

Perícia confirma autoria dos áudios

O Instituto de Criminalística confirmou que os áudios divulgados com supostas confissões são da empresária. Em depoimento, ela havia negado a autoria. O laudo apontou 100% de compatibilidade. O delegado Walter Wanderley disse que solicitou a perícia após a prisão de Carolina para não deixar brecha para a defesa.

Empresária diz que agressões foram motivadas por anel

Em depoimento, Carolina afirmou que o anel estava avaliado em R$ 5 mil. Disse ainda que está grávida de três meses e enfrenta problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. A defesa pretendia pedir prisão domiciliar, mas não obteve sucesso.

Empresária é investigada por cinco crimes

Carolina é investigada por tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. A classificação de tentativa de homicídio triplamente qualificado indica intenção de matar com agravantes, como motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O delegado geral Augusto Barros afirmou que a investigação segue em curso.

PM suspeito de participação se entrega e apresenta versões diferentes

O policial militar Michael Bruno Lopes Santos se entregou na quinta-feira (7). Em depoimento à Corregedoria, negou envolvimento. Já na Polícia Civil, admitiu que esteve na casa e participou das agressões, mas afirmou que a maior parte dos atos foi cometida por Carolina. Ele contestou a versão da vítima. A Corregedoria abriu procedimento interno para apurar a participação do PM.

PMs que atenderam são afastados

Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das ruas e são investigados administrativamente. A apuração foi aberta após a divulgação de áudios em que Carolina afirma que não foi levada à delegacia por conhecer um dos policiais.

Doméstica relata agressões e ameaça de morte

Samara descreveu as agressões: puxões de cabelo, socos, murros e quedas. Durante os ataques, tentou proteger a barriga, pois estava grávida de cinco meses. A ex-patroa a acusou de roubar um anel, que foi encontrado em um cesto de roupas sujas. Mesmo após a joia ser localizada, as agressões continuaram. Samara foi ameaçada de morte caso contasse à polícia.

Em áudios obtidos pela TV Mirante, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”. A OAB classificou o caso como tortura agravada, lesão corporal, ameaça e calúnia.

Doméstica relata jornada extensa e acúmulo de funções

Samara recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho. Ela cumpria jornada diária de quase 10 horas, acumulando funções de limpeza, cozinha, lavagem e cuidado com o filho de seis anos da ex-patroa. O pagamento foi feito de forma fracionada, em nome de terceiros.

Empresária tem mais de dez processos contra ela

A polícia informou que Carolina responde a mais de dez processos. Em 2024, foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários e indenização de R$ 4 mil. A ex-babá Sandila Souza afirmou que a indenização ainda não foi paga.

Carolina também foi condenada em 2023 por furto qualificado contra a própria irmã, em conjunto com o marido Yuri. O casal desviou mais de R$ 20 mil de uma escola de natação em São Luís.