A Polícia Civil de Goiás deflagrou na manhã desta quarta-feira (29) uma operação para desarticular uma quadrilha especializada no chamado 'golpe do falso advogado'. O grupo criminoso tinha sede no Ceará, mas agia contra vítimas de diversas cidades do Brasil. A ação resultou na prisão de 12 suspeitos, distribuídos nas cidades de Fortaleza, Caucaia e Pacatuba.
Prejuízo milionário
De acordo com as investigações, os criminosos aplicaram um golpe em um servidor público goiano, que perdeu quase R$ 500 mil em apenas oito dias. A vítima tinha uma ação judicial de aproximadamente R$ 2 milhões contra o Estado de Goiás, e os golpistas se aproveitaram dessa informação para enganá-lo. O delegado Thiago Oliveira, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais de Goiás, afirmou que há uma 'grande predominância' desse tipo de crime no Ceará, que pode estar se tornando 'referência' para a prática.
Como funcionava o golpe
Segundo a polícia, os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens para se passar por advogados. Eles informavam as vítimas sobre falsos valores a receber em processos judiciais e, para liberar os supostos valores, exigiam pagamentos de taxas e tributos. Para dar credibilidade, outros integrantes se apresentavam como servidores públicos, usando documentos falsificados e linguagem técnica. O delegado Thiago Oliveira destacou que o esquema conta com cúmplices 'infiltrados' no sistema de justiça, ou seja, advogados reais que fornecem informações sensíveis para capturar vítimas.
Estrutura organizada
A investigação revelou uma divisão clara de tarefas entre os membros da quadrilha. Foram identificados três núcleos principais:
- Contato com as vítimas: responsável por abordar e enganar as pessoas.
- Simulação de autoridades: integrantes que se passavam por servidores públicos.
- Movimentação financeira: encarregados de receber e ocultar os valores obtidos ilegalmente.
A operação cumpriu quase 30 ordens judiciais, incluindo bloqueio e sequestro de bens no valor de cerca de R$ 500 mil nos três municípios cearenses.
Investigação e próximos passos
As investigações começaram após o golpe contra o servidor público goiano. A partir desse caso, os agentes identificaram outras vítimas em diferentes estados. Os nomes dos investigados não foram divulgados, mas eles devem responder por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O delegado Thiago Oliveira alertou que o golpe do falso advogado tem causado grandes prejuízos em todo o país, especialmente na região Nordeste.



