Morte de Thawanna por hemorragia aguda evidencia precariedade da Polícia Militar em São Paulo
A morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, baleada durante uma abordagem da Polícia Militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, expõe de forma contundente a falta de recursos e preparo da polícia na maior capital do país. A autópsia do Instituto Médico Legal (IML), divulgada nesta sexta-feira (10), confirmou que a vítima, de 31 anos e mãe de cinco filhos, faleceu devido a uma hemorragia interna aguda. Especialistas apontam que, se o sangramento tivesse sido estancado imediatamente, Thawanna teria tido maiores chances de sobrevivência, mas os policiais no local não conseguiram prestar os primeiros socorros adequados.
Falta de equipamentos básicos comprometeu atendimento à vítima
O incidente ocorreu por volta das 3 horas da madrugada do dia 5 de abril, em um período de baixo trânsito, o que poderia ter facilitado um socorro mais rápido. No entanto, o PM Weden Silva, que dirigia a viatura, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) cerca de 40 segundos após o disparo, solicitando resgate. Em seu depoimento, Silva afirmou que dentro do carro havia apenas uma gaze, insuficiente para estancar o sangue da vítima, o que levou a um atraso crítico no atendimento. O socorro médico demorou 30 minutos para chegar ao local, agravando a situação de Thawanna.
Esta ausência de equipamentos mínimos, como materiais para controle de hemorragias ou estabilização de feridos, levanta sérios questionamentos sobre o preparo das equipes policiais para lidar com situações de risco que envolvem o uso da força. Além disso, o policial foi interrogado sobre o motivo de não ter utilizado uma taser (arma de choque) durante a abordagem, e informou que não havia nenhum aparelho disponível quando a dupla saiu para a operação.
Inexperiência da policial envolvida no disparo
A soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, responsável pelo disparo que atingiu Thawanna, era uma estagiária da Polícia Militar com pouca experiência. Aprovada no concurso da corporação em novembro de 2024, conforme registrado no Diário Oficial do dia 27 daquele mês, sua atuação durante a abordagem violenta tem sido alvo de investigações. Este caso não apenas destaca as falhas operacionais, mas também coloca em xeque os protocolos de treinamento e a alocação de recursos humanos na PM.
A morte de Thawanna Salmázio serve como um triste alerta sobre as condições de trabalho e a capacidade de resposta da polícia em São Paulo. A falta de equipamentos básicos, combinada com a inexperiência de alguns agentes, pode resultar em tragédias evitáveis, como esta, que deixou uma família devastada e a comunidade em luto. As autoridades precisam revisar urgentemente as políticas de segurança pública para garantir que situações semelhantes não se repitam no futuro.



