Um médico de 44 anos foi preso em flagrante na noite de sexta-feira (16) após assassinar dois colegas a tiros em frente a um restaurante de luxo no bairro Alphaville Plus, em Barueri, na Grande São Paulo. O caso, registrado por câmeras de segurança, chocou a região e revelou o histórico violento do acusado, que já havia sido detido no ano passado por agredir funcionários de um hotel em Aracaju, Sergipe.
Histórico de violência do médico acusado
O médico preso foi identificado como Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos. Ele não é um criminoso pela primeira vez. Em 2024, ele foi detido em Aracaju, Sergipe, após chegar embriagado a um hotel de luxo, agredir fisicamente um funcionário, danificar móveis e objetos do estabelecimento e cometer injúria racial contra outro profissional.
Um vídeo da época registrou os ataques. Nas imagens, é possível ver Carlos Alberto derrubando um monitor de computador da recepção com um tapa e, em outro momento, empurrando um funcionário, que cai no chão. Na ocasião, ele foi solto após o pagamento de fiança.
Formado pela Universidade do Extremo Sul Catarinense, Carlos Alberto atuava como diretor técnico e CEO da empresa Cirmed Serviços Médicos, com sede em Barueri e Bauru. A empresa presta serviços para unidades da rede pública de saúde em várias cidades.
Detalhes do crime em Alphaville
O duplo homicídio ocorreu por volta das 22h de sexta-feira (16), na Avenida Copacabana, em Alphaville. As vítimas foram os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, cardiologista de um hospital municipal de Barueri, e Vinicius Dos Santos Oliveira, de 35 anos, que trabalhava em unidades de saúde de Cotia.
Os três se conheciam e se encontraram por acaso no restaurante. Uma discussão começou dentro do estabelecimento, e a Guarda Civil foi acionada. Os agentes conseguiram conter a situação inicialmente e questionaram Carlos Alberto se ele estava armado, o que ele negou.
No entanto, minutos depois, quando as vítimas saíram do local, Carlos as seguiu. Ele então sacou uma pistola 9 mm de dentro de uma maleta e efetuou diversos disparos. Luís Roberto foi atingido por oito tiros, e Vinicius, por dois. Ambos foram socorridos, mas não resistiram e morreram no pronto-socorro.
Cenas captadas pelas câmeras e testemunhas
As câmeras de segurança registraram momentos-chave do crime. Em um primeiro vídeo, é possível ver Carlos Alberto se aproximando da mesa onde as vítimas estavam, cumprimentando-as e iniciando uma conversa. A discussão escalou para uma agressão física dentro do restaurante, com troca de socos, até que funcionários interviram para separá-los.
Outras imagens mostram o momento do assassinato. Com as vítimas já na calçada, Carlos Alberto aparece armado e efetua dezenas de tiros. Agentes da Guarda Civil, que ainda estavam no local, correram, renderam e algemaram o médico.
Em depoimento, um manobrista relatou ter ouvido uma discussão acalorada e barulho de vidros quebrando antes de ver uma pessoa visivelmente transtornada com uma arma na mão. Pouco depois, ouviu cerca de dez disparos. Outra testemunha, também manobrista, afirmou que viu Carlos Alberto seguir os dois médicos, retirar a arma de uma bolsa e atirar contra eles.
Repercussão e prisão
Carlos Alberto foi preso em flagrante por homicídio. A Justiça acatou o pedido de prisão preventiva. No momento da prisão, foram apreendidos a arma do crime, cápsulas deflagradas, uma bolsa, diversos documentos e R$ 16 mil em dinheiro.
A Prefeitura de Cotia emitiu uma nota de pesar pela morte do médico Vinicius dos Santos Oliveira, destacando seu trabalho dedicado no serviço público desde 2019, inclusive durante a pandemia de Covid-19. Ele deixa esposa e um filho de um ano e meio.
O caso segue sob investigação das autoridades para apurar todos os detalhes e o motivo exato da discussão que terminou em tragédia.