Justiça revoga prisão de médico ginecologista de 81 anos acusado de abuso sexual
Justiça solta médico de 81 anos acusado de abuso sexual

A Justiça determinou nesta quinta-feira (7) a soltura do médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, que havia sido preso na quarta (6) sob acusação de abusar sexualmente de uma paciente em trabalho de parto em Teixeira Soares, na região central do Paraná. O médico também é investigado em outros três casos semelhantes.

Decisão judicial

A decisão atendeu ao pedido da defesa, que argumentou que a prisão era injusta e desnecessária. Em nota, os advogados afirmaram que o médico estava realizando a rotina de um parto e que os fatos ocorreram há 15 anos. A Justiça revogou a prisão preventiva devido à idade do acusado, que tem mais de 70 anos, reduzindo o prazo de prescrição pela metade, de 20 para 10 anos.

Denúncias

Pelo menos quatro mulheres denunciaram o médico por abuso sexual durante atendimentos. A vítima mais recente, que estava em trabalho de parto, procurou a polícia após ver notícias sobre outras denúncias. Em abril, três mulheres de Irati relataram abusos semelhantes. O médico foi enquadrado no crime de estupro de vulnerável, pois a vítima não podia oferecer resistência durante o exame.

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Investigação

A Polícia Civil identificou um padrão de comportamento ao longo de décadas, com relatos de vítimas que tinham medo de denunciar devido à influência política do médico, que já foi deputado estadual, prefeito e vereador de Irati. O delegado Luis Henrique Dobrychtop afirmou que o médico se aproveitava da posição de confiança para praticar atos libidinosos, usando supostos procedimentos clínicos como pretexto.

Primeira denúncia

A primeira denúncia foi feita por uma mulher de 24 anos, atendida em fevereiro. Ela esperou sete dias para procurar a polícia devido ao abalo emocional. A vítima relatou massagens íntimas durante o exame e que o médico atendeu uma ligação pessoal enquanto ela estava despida. O prontuário eletrônico não registrou o atendimento, levantando suspeitas.

Outras vítimas

Duas outras mulheres procuraram a polícia após o primeiro caso. Uma relatou abuso em 2011 e outra em 2016. Os relatos são convergentes, indicando uma conduta mantida por anos. No entanto, esses casos prescreveram, pois as vítimas não denunciaram dentro do prazo legal de seis meses, que vigorava antes da Lei nº 13.718/2018.

Carreira política

Felipe Lucas é médico desde 1975, especializado em ginecologia e obstetrícia. Em 2024, foi homenageado pelo CRM-PR pelos 50 anos de profissão. Também teve carreira política: foi vereador, prefeito de Irati nos anos 1990 e deputado estadual por dois mandatos. Em 2020, concorreu a vice-prefeito, mas não se elegeu.

Defesa

A defesa do médico informou que a Justiça reconheceu a extinção da punibilidade e determinou a expedição do alvará de soltura. Os advogados afirmaram que a prisão foi injusta e que o caso causa preocupação jurídica e social, por envolver um profissional idoso acusado por um atendimento obstétrico realizado há mais de 15 anos. A defesa acompanhará o caso para preservar a honra e as garantias constitucionais do Dr. Felipe Lucas.

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