Desaparecimento da Família Aguiar completa 65 dias sem respostas em Cachoeirinha
O desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, completa 65 dias sem respostas, gerando indignação crescente entre parentes e moradores da região. Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail Aguiar e Dalmira Aguiar, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro, com a investigação considerando remotas as chances de encontrá-los com vida.
Protestos cobram agilidade nas investigações
Na segunda-feira (30), moradores e parentes se reuniram para protestar, exigindo maior celeridade nas investigações. "A gente aguentou até agora, esperou até agora. Respeitamos o tempo da polícia para averiguações das provas, para inquérito, tudo. Mas hoje são 64 dias sem respostas", declarou Débora Marques Gonçalves, amiga da família.
Onilda Justin, irmã de Isail, expressou a angústia familiar: "A angústia da gente é que no início pensávamos que poderíamos encontrá-los vivos. E, agora, a gente pensa em dar um enterro digno para eles".
Principal suspeito e investigações paralelas
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana Aguiar, é o principal suspeito do desaparecimento e está preso temporariamente desde 10 de fevereiro. Três pessoas ligadas ao PM também passaram à condição de suspeitas por supostamente atrapalharem as investigações.
Conforme o delegado Anderson Spier, as suspeitas envolvem:
- Uma mulher que teria apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem, suspeita de fraude processual
- Um familiar do PM que teria deletado imagens de câmeras da casa de familiares de Cristiano, também suspeito de fraude processual
- Um amigo de Cristiano investigado por falso testemunho, por supostamente mentir para dar falsos álibis ao principal suspeito
Motivação do crime e aspectos patrimoniais
A investigação aponta que o crime teria sido motivado por desavenças na criação do filho entre Silvana e o ex-companheiro. A mulher havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares.
"A gente tem já na investigação formalizado que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho", afirmou o delegado Spier.
Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar possuía diversos bens, incluindo imóveis e apartamentos de aluguel. Em caso de morte, todos esses bens, numa sucessão, viriam a se tornar propriedade do neto.
Cronologia do desaparecimento
A investigação revelou detalhes importantes sobre os dias do desaparecimento:
- 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Uma publicação falsa em suas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado
- Noite de 24 de janeiro: Câmeras de segurança registraram movimentação atípica de veículos na residência de Silvana
- 25 de janeiro: Os pais de Silvana saem para procurar a filha e visitam a residência do ex-genro, Cristiano. Após a visita, são vistos entrando em um carro não identificado e não são mais localizados
Descobertas da investigação
Entre as evidências coletadas pela polícia estão:
- Vestígios de sangue encontrados no banheiro e na área externa da casa de Silvana
- Celular de Silvana localizado escondido sob uma pedra em terreno baldio próximo à casa dos pais
- Projétil de festim (munição não letal) encontrado no pátio da casa dos idosos
- Quebra de sigilo telefônico que indicou movimentação suspeita do principal suspeito
O caso continua sob investigação intensa, com buscas realizadas em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre utilizando cães farejadores. A prisão do PM suspeito foi prorrogada por 30 dias em 9 de março, e ele ainda deve ser ouvido novamente esta semana, em what pode ser o último depoimento antes da conclusão do inquérito.



