O músico, poeta e ativista social Luiz Emmanuel Pinto, de 45 anos, conhecido como Emmanuel 7Linhas, foi morto a tiros na madrugada de sexta-feira (8), no bairro Ibes, em Vila Velha, na Grande Vitória. Uma mulher de 37 anos também morreu no ataque e um homem de 34 anos ficou ferido. Ele foi socorrido e levado para o Hospital Antônio Bezerra de Faria, mas o estado de saúde não foi divulgado. As identidades das outras vítimas não foram informadas.
Detalhes do crime
De acordo com a Polícia Militar, dois suspeitos passaram de moto atirando contra pessoas em situação de rua que estavam em uma calçada da região conhecida como “Favelinha do Ibes”. O músico estaria no local conversando e realizando trabalhos sociais quando foi atingido. O homem ferido relatou aos policiais militares que a motocicleta passou pela rua e retornou momentos depois, quando os suspeitos fizeram vários disparos.
Investigação
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que o caso é investigado pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha. Até a última atualização, ninguém havia sido preso. Os corpos das vítimas foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) para necropsia antes de serem liberados para as famílias.
Despedida e legado
Com mais de 30 anos de carreira, Emmanuel 7Linhas era um nome conhecido da cena hip-hop e slam capixaba. Rapper, poeta, performer e produtor cultural, ele participava de projetos culturais e ações sociais voltadas para comunidades e pessoas em situação de rua. O corpo de Emmanuel foi enterrado neste sábado (9), na Serra, também na Grande Vitória. Familiares e amigos participaram da despedida.
A filha do músico, Mayrianne Mattos, falou sobre o legado deixado pelo pai. “Meu pai era a personificação da arte, da cultura, uma pessoa que era feroz com o que acreditava, não se calava, sempre lutava pelo que era justo, pelo que ele achava que era correto. Meu pai era um grande sonhador, mas que acreditava em sonhos coletivos através da arte, da cultura, da literatura”, disse.
O músico Yuri Gjansk, amigo de 7Linhas, também lamentou a morte. “Ele era de uma sensibilidade inconfundível, só ele tinha aquela sensibilidade, a pessoa que conseguia fazer uma música em segundos. A poesia estava dentro da mente dele, ele vivia aquilo ali de verdade. Acho que foi um dos artistas mais geniais que eu já conheci na minha vida”, afirmou.
O ativista social Marcelo Ciqueira destacou a atuação de Emmanuel em projetos sociais dentro das comunidades. “7Linhas era um ativista social. A gente vive dentro do território, lutando contra isso. Mas essa situação mostra que a gente não tá blindado. Mesmo tentando fazer o bem e tirar os meninos do ócio, a gente pode ser vítima disso”, declarou.



