Criança sequestrada é encontrada morta no Noroeste do Paraná
O corpo de Miratzi Kairelis Perez Mejias, uma menina venezuelana de oito anos, foi encontrado sem vida na noite de domingo (15) em uma área de mata no município de São Manoel do Paraná, na região noroeste do estado. A criança havia sido sequestrada três dias antes por Daniel Luiz Ferrari, de 25 anos, que era suspeito de também ter esfaqueado sua ex-companheira grávida.
Sequestro e violência precedem tragédia
De acordo com o delegado Wagner Quintão, o crime ocorreu no dia 12 de fevereiro, quando Daniel pediu para a mãe da criança sair para comprar cigarros e ficou sozinho com a menina. Antes de desaparecer com Miratzi, o homem foi até a casa de sua ex-companheira, que estava grávida, e a esfaqueou na barriga. A mulher passou por cirurgia e, conforme a Polícia Militar, tanto ela quanto o bebê não correm risco de morte.
As buscas pela criança e pelo suspeito começaram imediatamente, envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. No dia seguinte, 13 de fevereiro, o carro utilizado por Daniel foi encontrado abandonado na zona rural da cidade.
Confronto fatal e descoberta do corpo
Na tarde de domingo (15), durante as operações de busca, Daniel surpreendeu policiais e bombeiros e os atacou com uma faca. Em seguida, foi morto a tiros em confronto com a PM. Horas depois, no mesmo dia, o corpo da criança foi localizado próximo ao local onde o veículo havia sido encontrado.
O major João Francisco Gimenez relatou que a vítima foi encontrada "já num estado avançado de decomposição, o que faz presumir que ela morreu já há alguns dias, talvez no primeiro dia da ocorrência". A polícia solicitou um laudo complementar sobre a causa da morte, por considerar inconclusivo, mas ainda não há prazo para divulgação.
Falha na tornozeleira eletrônica em questão
Daniel Luiz Ferrari usava tornozeleira eletrônica, que emitiu sinal de "fim de bateria" no dia 9 de fevereiro, segundo a Polícia Penal do Paraná. A instituição afirmou ter realizado os procedimentos previstos em casos de interrupção do sinal, incluindo contato com o monitorado e comunicação ao juízo competente.
Entretanto, ressaltou que mandados de prisão são expedidos exclusivamente pelo Poder Judiciário. O g1 questionou a Justiça se Daniel era considerado foragido desde o dia 9 – dois dias antes dos crimes – mas não obteve resposta até a última atualização.
O delegado Wagner Quintão informou que o suspeito não estava usando a tornozeleira quando foi encontrado. O aparelho foi localizado em sua casa, rompido.
Investigações em andamento
Um inquérito policial foi instaurado para apurar o caso. Segundo o delegado, estão sendo investigados os crimes de tentativa de feminicídio, lesão corporal e feminicídio. A tragédia chocou a comunidade de São Manoel do Paraná e levantou questões sobre a eficácia do monitoramento eletrônico em casos de violência.
A família da criança, de origem venezuelana, enfrenta agora o luto pela perda da pequena Miratzi, enquanto as autoridades buscam respostas sobre as circunstâncias que permitiram essa sequência de eventos violentos.



