O corpo da idosa Milce Daniel Pereira, encontrada morta em uma área de mata em Bayeux, na Grande João Pessoa, foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa. De acordo com o diretor do órgão, Flávio Fabres, os exames não identificaram sinais de violência no corpo da vítima.
Os exames também deram negativo para violência sexual e para substâncias tóxicas que poderiam ter causado a morte. No entanto, os exames que apontarão a causa da morte ainda estão em andamento, com prazo legal de 10 dias, podendo ser prorrogado.
Flávio Fabres explicou que o corpo estava em avançado estado de decomposição, o que dificultou a perícia. “Tanto a perícia criminal no local quanto a autópsia não evidenciaram sinais de violência”, afirmou.
O diretor ressaltou que os exames negativos para violência sexual e substâncias tóxicas auxiliam na investigação, mas não descartam totalmente a possibilidade de abuso. “São exames que norteiam, mas a violência sexual pode se manifestar de várias formas, inclusive sem deixar marcas físicas”, disse.
Além disso, o IML aguarda o resultado do exame de DNA coletado no carro de Willis Cosmo, a última pessoa que viu a idosa com vida. O veículo passou por perícia, e fios de cabelo e um tecido semelhante ao vestido da vítima foram encontrados.
Idosa pode ter chegado viva ao local
De acordo com o perito Aldenir Lins, do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), Milce pode ter chegado com vida à área de mata. “A sandália estava com ela, e as vestes estavam em condições que sugerem que ela estava viva ao chegar”, afirmou.
Uma peça íntima foi encontrada próxima ao corpo, mas o perito não relacionou o fato a abuso sexual. “Não podemos afirmar se foi por necessidade fisiológica ou tentativa de atravessar o rio”, explicou.
Amigo ouvido e liberado
Willis Cosmo, amigo da vítima, foi ouvido pela polícia e liberado. Ele não é considerado suspeito, mas seu depoimento apresentou divergências em relação aos horários do trajeto entre o hospital e a área de mata.
O delegado Douglas García afirmou que Willis não é investigado e está colaborando. “A investigação segue como desaparecimento, podendo mudar para morte natural ou homicídio conforme os laudos periciais”, disse.
A polícia refez o trajeto e constatou que não seria possível chegar ao local no horário informado pelo homem. Câmeras de segurança e outros depoimentos serão confrontados.
Desaparecimento e buscas
Milce desapareceu em 22 de abril após acompanhar Willis a uma consulta no Hospital Metropolitano. O homem afirmou que ambos foram colher mangas, e ao se abaixar, não viu mais a idosa.
O Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e cães farejadores realizaram buscas na região. O corpo foi encontrado sete dias depois, em avançado estado de decomposição.
A perícia na casa e no carro de Willis coletou materiais para análise, incluindo fios de cabelo e manchas. O delegado não informou se o homem é suspeito.



