Briga por chiclete em Vicente Pires deixa adolescente em coma profundo; piloto preso alega defesa
Adolescente em coma após briga por chiclete em Vicente Pires

Adolescente em coma profundo após briga por chiclete em Vicente Pires

O adolescente de 16 anos, vítima de uma violenta agressão ocorrida na última sexta-feira (23) em Vicente Pires, região administrativa do Distrito Federal, continua internado em estado crítico e em coma profundo. A informação foi confirmada ao g1 pelo advogado da família, Albert Halex, na manhã desta segunda-feira (26). O jovem, cuja identidade não foi divulgada por ser menor de idade, sofreu graves lesões durante uma briga que teria começado por causa de um chiclete.

Estado de saúde considerado muito grave

Segundo o advogado Albert Halex, no domingo (25), a equipe médica tentou retirar os sedativos para avaliar possíveis reações do adolescente. No entanto, o jovem apresentou apenas espasmos na mão, o que levou os profissionais a administrarem novos sedativos. "É muito crítico. Ele está em coma Glasgow 3. Se ele sobreviver, provavelmente, ficará com sequelas", explicou Halex em entrevista. A Escala de Glasgow, que mede o nível de consciência, varia de 3 a 15 pontos, sendo o nível 3 considerado o mais baixo, indicando um coma profundo sem resposta a estímulos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a escala avalia critérios como abertura ocular, resposta verbal, resposta motora e resposta pupilar. No nível 3, o paciente não apresenta qualquer reação ao exame físico específico, caracterizando um estado de extrema gravidade. O relatório médico apresentado na audiência de custódia do suposto agressor confirmou que a vítima se encontra na UTI em "estado muito grave".

Suposto agressor preso e liberado após pagamento de fiança

O suposto agressor foi identificado como Pedro Turra, de 19 anos, descrito como empresário. Ele foi preso em flagrante em sua residência e é investigado pela prática de lesão corporal gravíssima. Após audiência de custódia, Turra foi liberado mediante o pagamento de uma fiança definida em 15 salários mínimos, totalizando R$ 24.315, considerando os valores atuais.

Em depoimento à Polícia Civil, que durou menos de quatro minutos, Pedro Turra narrou sua versão dos fatos. Ele afirmou que estava com amigos em um carro e foi ao condomínio em Vicente Pires porque um deles queria encontrar uma ex-namorada. "Eu e meus amigos, a gente tem uma brincadeira de ficar jogando chiclete nos outros. Eu joguei no Luquinhas, a gente ficou rindo, e alguém falou: 'foi quase no Rodrigo'", relatou Turra.

Rodrigo, o adolescente agredido, teria respondido: "Se fosse em mim, eu ia quebrar na porrada". Turra disse ter interpretado a fala como brincadeira, já que antes estavam conversando normalmente. "Aí, eu desci do carro e falei 'então fala na minha cara'. Ele falou na minha cara e eu dei uma empurrada nele, porque estava muito perto. Ele veio para dar um soco em mim, aí começou. Nos vídeos, você vê que eu estava tentando apartar, só que ele não parava. Aí, eu tive que... se não, ele não ia parar", justificou o piloto preso, acrescentando: "Minha intenção não foi machucar, e sim apartar".

Testemunhas mencionam possível canivete, mas item não aparece em vídeos

Outros amigos de Pedro Turra que estavam no local prestaram depoimento como testemunhas à Polícia Civil. Alguns deles relataram ter visto o adolescente manuseando um "canivete" minutos antes do início da briga. No entanto, até este sábado, o item não foi identificado nos vídeos de câmeras de segurança obtidos pela polícia, levantando dúvidas sobre sua existência ou uso durante o conflito.

A briga, registrada em vídeos que circulam nas redes sociais, mostra jovens trocando socos e murros. O adolescente agredido teria levado uma série de golpes e, ao se desequilibrar, bateu a cabeça em um carro, agravando ainda mais seu estado de saúde. A violência do episódio chocou a comunidade local e reacendeu debates sobre segurança pública e conflitos entre jovens na região.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que analisa as provas coletadas, incluindo os depoimentos e as imagens de segurança. Enquanto isso, a família do adolescente aguarda por qualquer sinal de melhora no quadro clínico do jovem, que permanece em coma Glasgow 3, lutando pela vida na UTI.