Ex-primeira-dama compartilha vídeo polêmico durante internação de Bolsonaro
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, divulgou neste sábado, 14 de março de 2026, um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de "desejarem" a morte do ex-presidente. Bolsonaro segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star em Brasília, tratando uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de um episódio de broncoaspiração.
Conteúdo do vídeo e contexto da cobertura
Os repórteres estavam posicionados do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre o estado de saúde do ex-presidente, exercendo suas funções profissionais de cobertura jornalística. A gravação compartilhada por Michelle Bolsonaro não mostra os supostos comentários feitos pelos profissionais de imprensa, mas é acompanhada pela legenda "jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13", data considerada popularmente como dia de azar.
No material visual, a influenciadora grita com os repórteres presentes e filma o crachá de uma assessora de imprensa, exclamando "Isso é uma falta de vergonha". Os jornalistas mantiveram postura profissional e ignoraram as provocações durante o incidente, que foi registrado em vídeo e posteriormente amplificado nas redes sociais.
Repercussões graves: ameaças e intimidação
Após a circulação do vídeo, dois jornalistas registraram boletins de ocorrência após terem sido intimidados. Um dos profissionais teve seu filho ameaçado e precisou fechar suas redes sociais como medida de proteção. A situação evoluiu para uma campanha de desinformação que colocou em risco a segurança dos profissionais de imprensa.
Em nota oficial, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou "veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares ocorridas após a divulgação irresponsável de um vídeo deturpado". A entidade destacou que o material foi produzido por uma influenciadora bolsonarista e amplificado por parlamentares da extrema direita e pela própria ex-primeira-dama, que o compartilharam sem qualquer verificação factual.
Consequências presenciais e digitais
Os ataques não se limitaram ao ambiente virtual. Duas repórteres foram reconhecidas em espaços públicos - uma na rua e outra no transporte público - e sofreram agressões presenciais. A situação se agravou com a produção de montagens e vídeos utilizando inteligência artificial, incluindo simulações onde uma das profissionais aparece sendo esfaqueada.
Além disso, fotos de filhos e familiares dos jornalistas estão sendo utilizadas como instrumento de intimidação e assédio, criando um clima de insegurança que extrapola o exercício profissional e invade a vida privada desses trabalhadores. A Abraji enfatizou que os jornalistas "estavam simplesmente exercendo seu trabalho" quando foram alvo dessa campanha de difamação.
Atualização do estado de saúde de Bolsonaro
Enquanto isso, o ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou melhora no quadro renal na manhã deste domingo, 15 de março, conforme informou boletim médico da equipe que o acompanha no Hospital DF Star. O paciente "evoluiu com estabilidade clínica e melhora da função renal, porém com nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue".
Segundo os médicos responsáveis, a mudança no quadro clínico levou à necessidade de ampliar a cobertura de antibióticos e intensificar a fisioterapia respiratória e motora. Bolsonaro permanece na Unidade de Terapia Intensiva sem previsão de alta, após ter sido internado na última sexta-feira, 13 de março. A situação médica do ex-presidente continua sendo monitorada de perto pela equipe hospitalar enquanto os desdobramentos políticos e sociais de sua internação geram debates sobre liberdade de imprensa e segurança dos profissionais de comunicação.
