Novos indícios ampliam suspeitas sobre desvio de subsídios em empresa de ônibus de São Luís
Suspeitas de desvio de subsídios em empresa de ônibus de São Luís

Novas evidências fortalecem investigação sobre suposto desvio de recursos em empresa de transporte

Novos documentos obtidos pela TV Mirante ampliam as suspeitas sobre a Expresso Rei de França, empresa de ônibus que está no centro da crise do transporte público em São Luís, capital do Maranhão. As movimentações bancárias reveladas mostram pagamentos de aluguel e cartão de crédito realizados no mesmo dia em que a empresa recebeu valores do subsídio do transporte público, levantando indícios de irregularidades graves.

Relação familiar e figura de sócio oculto sob investigação policial

De acordo com os registros, Willame Alves dos Santos, que constava como beneficiário do Bolsa Família até janeiro deste ano, aparece como administrador da Expresso Rei de França no site da Receita Federal. Ele recebeu todas as cotas da empresa, avaliadas em R$ 3 milhões, de Débora Piorski Ferreira, ex-dona da companhia.

Débora é filha de Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, identificado por um gerente da empresa como o verdadeiro proprietário. A relação entre eles será investigada pela polícia, pois a conduta de sócio oculto pode caracterizar crime, conforme destacou o juiz Douglas de Melo Martins.

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"Eu cumpri meu dever. Não é uma faculdade, é uma obrigação do juiz. Quando se toma conhecimento de fato que, em tese, caracteriza crime, deve-se determinar a abertura do inquérito policial", explicou o magistrado, que já solicitou a abertura de um inquérito para apurar as possíveis irregularidades.

Atuação em outros setores e processo de recuperação judicial

Pedro Paulo Pinheiro Ferreira também ocupa cargo de direção na Unamgem, empresa de extração mineral avaliada em R$ 136 milhões, e é sócio-administrador da Goldcoltan Minerais Limitada, que atua no mesmo ramo. Ele está envolvido em um processo de recuperação judicial desde novembro do ano passado, período que coincidiu com o início da crise no transporte público de São Luís.

A crise envolve o consórcio Via SL, que inclui as empresas Expresso Rei de França e Grapiúna. O consórcio alegou falta de pagamento dos subsídios da Prefeitura de São Luís, recursos essenciais para manter os ônibus em circulação.

Pagamento de subsídios e suspeitas de desvio de recursos

Contudo, documentos apresentados pela própria Expresso Rei de França mostram que o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) transferiu mais de R$ 3 milhões para a conta da empresa. No mesmo dia, a conta foi praticamente esvaziada com pagamentos relacionados a:

  • Aluguel
  • Cartão de crédito
  • Empresa Goldcoltan

Curiosamente, os pagamentos devidos aos funcionários do consórcio não constam nesses documentos, aumentando as suspeitas de desvio dos recursos públicos.

Funcionários enfrentam atrasos e paralisações no serviço

A Expresso Rei de França informou, no final do ano passado, que contava com cerca de 600 funcionários. Esses trabalhadores começaram a relatar atrasos no pagamento de salários e benefícios, como ticket alimentação e plano de saúde. Como resultado, eles chegaram a paralisar totalmente as atividades, mas uma decisão judicial determinou que as rotas fossem retomadas aos poucos.

Manutenção da frota e retorno gradual das operações

Esta semana, a empresa informou que está trabalhando na manutenção dos ônibus para que eles voltem a circular. A Expresso Rei de França garantiu que 30 ônibus já estão nas ruas, atendendo a 15 bairros da capital maranhense.

A TV Mirante não conseguiu contato com Willame Alves dos Santos, nem com a defesa de Pedro Paulo Pinheiro Ferreira ou de sua filha, Débora Piorski Ferreira. O consórcio Via SL, o Sindicato das Empresas de Transporte e a Prefeitura de São Luís também não se manifestaram sobre o caso até o momento.

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