Cannabis medicinal cresce mais rápido que antidepressivos no Brasil
Cannabis medicinal supera crescimento de antidepressivos

O 5º Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, realizado em São Paulo entre os dias 21 e 23 de maio de 2026, trouxe à tona dados impressionantes sobre o avanço do setor no país. Durante a abertura do evento, especialistas apresentaram uma radiografia do mercado, revelando que a cannabis medicinal cresce em ritmo mais acelerado do que terapias consolidadas, como antidepressivos e anticonvulsivantes.

Expansão do mercado em números

De acordo com dados da Close-Up, empresa global de análise de mercado, as vendas de medicamentos à base de Cannabis sativa atingiram R$ 272,6 milhões no último ano, um crescimento de 14,5% em relação ao período anterior. Esse índice supera o de categorias tradicionais: os medicamentos para dor crônica cresceram 7,7% (com vendas de R$ 698,9 milhões), os antidepressivos avançaram 10,8% (movimentando R$ 5,9 bilhões) e os anticonvulsivantes tiveram alta de 7,8% (faturando R$ 1,8 bilhão).

“Embora ainda represente uma fatia pequena diante de mercados consolidados, a cannabis medicinal registra crescimento mais acelerado entre terapias usadas em condições como dor crônica, ansiedade, epilepsias e outros transtornos neurológicos ou psiquiátricos”, destacou Filipe Campos, líder de marketing da Close-Up.

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Mudança no perfil de consumo

Há uma década, quando a Anvisa autorizou a importação de óleos medicinais à base de CBD, o uso era restrito a crianças com síndromes raras e refratárias a anticonvulsivantes tradicionais. Atualmente, 68% desses medicamentos são vendidos em grandes redes farmacêuticas, indicando uma democratização do acesso. O neurocientista Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da UFRN, compara o potencial da planta aos antibióticos no século passado: “A maconha está para a medicina do século XXI assim como os antibióticos estiveram para o século passado. Ela não atua como um medicamento de alvo único, mas como uma farmacopeia, com moléculas que interagem com diferentes sistemas do organismo”.

Desafios do cultivo nacional

Apesar do avanço, o Brasil ainda depende de importações para suprir a demanda. Segundo a Kaya Mind, primeira empresa especializada em análise do mercado de cannabis no país, os medicamentos importados custam, em média, R$ 100 a menos que os nacionais. Para Maria Eugênia Riscala, CEO e cofundadora da Kaya Mind, “os produtos brasileiros podem ganhar mais competitividade quando comparados aos importados”, mas isso depende do amadurecimento da cadeia produtiva nacional.

O cultivo para fins medicinais no Brasil é visto como estratégico para reduzir custos e aumentar a competitividade. No entanto, o cenário ainda está em construção, exigindo investimentos em pesquisa, incentivos ao setor e consolidação do cultivo em escala comercial. O desafio, agora, é fazer com que o ritmo acelerado de crescimento do mercado seja acompanhado pela expansão da pesquisa científica e pela capacidade do país de desenvolver tecnologia própria em um setor que movimenta bilhões globalmente.

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