Secretário afastado há 8 meses por corrupção não foi exonerado em São Bernardo do Campo
Secretário afastado por corrupção não foi exonerado em SBC

Secretário mantém cargo formal apesar de afastamento por corrupção há oito meses

Fábio Augusto do Prado, secretário de coordenação governamental afastado da gestão do prefeito Marcelo Lima (Podemos) em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, continua formalmente como titular da pasta mesmo após quase oito meses de afastamento por suspeitas de corrupção. A situação persiste apesar de ele ser réu no processo da Operação Estafeta, desencadeada pela Polícia Federal em agosto do ano passado, que desmontou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveria o próprio prefeito municipal.

Formalidade mantida sem expediente presencial

No Diário Oficial da cidade, Prado, apelidado de "Sacolão" pelo suposto operador do esquema criminoso Paulo Iran Paulino da Costa, permanece como titular da secretaria desde 1° de janeiro de 2025. Contudo, ele não comparece presencialmente à sede da prefeitura desde agosto do ano passado e não recebe salário durante esse período. A pasta tem sido ocupada interinamente pela secretária Juliane Nakamura desde o início deste ano, conforme informações do site oficial da prefeitura.

Em nota oficial, a gestão Marcelo Lima afirmou que "o município acatou rigorosamente todas as decisões judiciais e não há qualquer determinação pela exoneração" de Fábio Prado. A administração municipal destacou ainda que "o servidor citado não recebe qualquer pagamento de salário desde o seu afastamento do cargo, em agosto de 2025", informações que podem ser verificadas no Portal da Transparência do município.

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Papel crucial no esquema de corrupção

Segundo as investigações da Polícia Federal, o secretário afastado teria participação crucial na movimentação e dissimulação de recursos do esquema criminoso. Apesar de ocupar um cargo com salário de R$ 30 mil na época do escândalo, Prado aparece nas investigações como proprietário de um mercado e sacolão que seria utilizado pelo operador financeiro Paulo Iran para dissimular dinheiro ilícito.

Nas conversas interceptadas pela PF, os investigadores identificaram o uso de "terminologia cifrada para tratar de assuntos financeiros". Em uma das comunicações, o termo "os americanos" era empregado para se referir a dólares destinados à distribuição de propina. Paulo Iran chegou a mencionar estar com uma "sacola do tamanho do mundo, tem 10k dentro", em alusão a grandes quantias de dinheiro em espécie recebidas do esquema.

Empresa familiar sob suspeita

O Mercado e Sacolão Fortaleza Ltda, registrado em nome de Fábio Prado e sua esposa Denise Santos, diretora financeira da Fundação ABC, é apontado pelas investigações como parte central do esquema. De acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), a empresa atua no ramo alimentício, mas o imóvel registrado como sede não apresenta características típicas de um estabelecimento comercial aberto ao público, levantando suspeitas sobre a natureza real de suas operações.

Denise Santos, que se descreve no Instagram como alguém que está "Fazendo história com o prefeito eleito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima", não foi citada diretamente no inquérito da Polícia Federal. Contudo, os investigadores apontam que parte dos contratos da área de saúde que irrigavam o esquema supostamente operado por Paulo Iran e Fábio Prado vinham de acordos da Fundação ABC com empresas privadas, pagos com recursos da Prefeitura de São Bernardo.

Processo judicial paralisado no STJ

O processo da Operação Estafeta na Justiça de São Paulo tem dez pessoas como rés, incluindo o prefeito Marcelo Lima, denunciados por crimes previstos na Lei de Organização Criminosa e na Lei de Lavagem de Dinheiro. No entanto, em dezembro de 2025, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Reynaldo Soares da Fonseca, determinou a suspensão das investigações e ações penais relacionadas à operação.

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A paralisação ocorreu após a defesa do empresário Fellipe Fabbri alegar que as interceptações da PF flagraram conversas de 2022, quando o prefeito Marcelo Lima era deputado federal, argumentando que a competência de julgamento deveria ser da Justiça Federal. A decisão liminar permanece válida até o julgamento do mérito da ação pelos demais ministros do STJ, atrasando significativamente o andamento processual.

Enquanto isso, Fábio Augusto do Prado mantém seu status formal como secretário, em uma situação que expõe as complexidades jurídicas e administrativas de casos de corrupção em âmbito municipal, com investigações que envolvem múltiplas instâncias do poder público e decisões judiciais que impactam diretamente a administração da cidade.